Geral Mulheres

Mulheres rurais mostram o sabor e a força da agricultura familiar nas festas juninas

Mulheres rurais mostram o sabor e a força da agricultura familiar nas festas juninas

13/06/2021 13h08 Atualizada há 5 anos atrás
Por:
Mulheres rurais mostram o sabor e a força da agricultura familiar nas festas juninas


São João é, tradicionalmente, a festa da agriculturafamiliar. É tempo de colheita do milho, do amendoim e da laranja, e de sedeliciar com canjica, bolo e licor. Uma diversidade de sabores e aromas queencantam e fazem parte da memória afetiva da maioria das baianas e dos baianose também de todo povo nordestino, em especial. Quem não lembra daquele bologostoso da mamãe, ou do doce da vovó? As mulheres sempre tiveram presençamarcante nessa festa, que neste ano será realizada mais uma vez em casa, com afamília e com todos os cuidados que o momento ainda exige.

Na Bahia, produtos típicos dos festejos juninos, como milhoe amendoim, estão com a produção garantida. Segundo o Levantamento Sistemáticoda Produção Agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(LSPA/IBGE), a estimativa para 2021 é de uma produção 3,8 mil toneladas de amendoim,de 2,4 milhões de toneladas de milho e 861,5 mil toneladas de mandioca.

É nessa perspectiva, de abastecer as festas e preservar atradição, com os deliciosos produtos juninos, que famílias agricultorascontinuam trabalhando. E esse é o exemplo de grupos de mulheres do RecôncavoBaiano, como o Grupo de Mulheres Frutos da Terra, da Comunidade QuilombolaBaixa Grande, em Muritiba e a Associação de Mulheres Regional Empreendedoras daAgricultura Familiar (AME), da comunidade Engenho de São João, município deCruz das Almas. 


Maria Dionísia de Souza do Vale, presidente do Grupo deMulheres Frutos da Terra, diz que o grupo começou quando as mulheres decidiramfazer o aproveitamento integral dos produtos da própria comunidade, para gerarrenda e também integrar a juventude. Ela ressalta a importância de manter vivaas tradições da comunidade, também na produção voltada para os festejosjuninos, com produtos como os bolos de aipim, de puba e o bolo na palha dabananeira: “A valorização e a importância vão muito além de recordar os saberesancestrais da nossa comunidade. Consideramos importante trabalhar com basenisso, no que nossos mais velhos sempre faziam, essas comidas e bebidastípicas”.

O Grupo Frutos da Terra, que para as festas juninas tem omilho, o amendoim e a laranja, segue produzindo durante todo o ano diversostipos de bolos e também mingaus, doce de jenipapo, banana e goiaba, cocadas elicores de jenipapo, amendoim, goiaba, tamarindo, maracujá e gengibre, além desalgados, pizzas e sorvete com derivados de aipim e trufas com frutos da terra,como a jaca. Atualmente, o grupo comercializa seus produtos por meio do CentroPúblico de Economia Solidária (Cesol), em municípios do Recôncavo e também emSalvador.

Já Almerinda Queiroz de Santana, mais conhecida como Mel,atual tesoureira da AME, explica que a associação trabalha ao longo do ano como cultivo de produtos como aipim, inhame, batata doce, mamão e banana, dentreoutros, mas que, neste período das festas juninas, como é tradição, não deixafaltar também o milho e o amendoim. Ela ressalta que as mulheres produzemtambém biscoitos, beijus, bolo de puba e de aipim e o bolo tradicional e umadiversidade de salgados à base de aipim e que estão se organizando para obteruma renda extra durante os festejos juninos, além de atender encomendas:“Estamos nos reunindo para neste período de festas juninas fazer vendas comentregas de bolos tradicionais e salgados diversos, aqui na região”.

A tesoureira da AME destaca a importância de políticaspúblicas, a exemplo da assistência técnica e extensão rural (Ater) e daparceria com o Cesol/Setre, entre outras, para a geração de renda e deconhecimento. A associação é também uma das selecionadas pelo projeto doGoverno do Estado, Bahia Produtiva, que prevê a implantação de uma cozinhaindustrial comunitária. A comercialização da produção é feita também por meiodo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Em períodos em que as aulasna rede pública de ensino acontecem de forma regular, a AME fornece, para osmunicípios de Cruz das Almas e Santo Estêvão, produtos como chips de aipim,aipim palito e biscoitos, além de produtos in natura, como aipim, inhame,banana e mamão.


ATER Mulheres


As mulheres das comunidades de Engenho São João e aQuilombola de Baixa Grande estão entre as 540 mulheres atendidas pelaassistência técnica e extensão rural (Ater), do Governo do Estado, por meio doInstituto de Desenvolvimento Social e Agrário do Semiárido (IDESA), organizaçãocontratada, via chamada pública da Superintendência Baiana de AssistênciaTécnica e Extensão Rural (Bahiater), vinculada à Secretaria de DesenvolvimentoRural (SDR).


Por meio da Chamada Pública do ATER Mulheres, os grupos demulheres são mobilizados e é realizado um diagnóstico das ações que devem serexecutadas, a partir de demandas das comunidades. Entre os objetivos doserviço, estão priorizar questões de gênero e promover a geração de renda, oacesso a políticas públicas, o desenvolvimento rural sustentável, com enfoqueagroecológico, a sustentabilidade socioambiental, e o acesso ao mercado, entreoutros.


Bahia Produtiva

O projeto é executado pela Companhia de Desenvolvimento eAção Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria Estadual deDesenvolvimento Rural (SDR), a partir de acordo de empréstimo com o BancoMundial. O Bahia Produtiva seleciona e apoia ações para o fortalecimento desistemas produtivos estratégicos como o da mandiocultura, ovinocaprinocultura,bovinocultura de leite, apicultura e meliponicultura e fruticultura.  

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários