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A FESTA (Do Livro: QUANDO O AMOR INCOMODA)

A FESTA (Do Livro: QUANDO O AMOR INCOMODA)

28/06/2021 20h52 Atualizada há 5 anos atrás
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A FESTA (Do Livro: QUANDO O AMOR INCOMODA)

Acaba de começar a semana e jáé segunda-feira, são 09h34m da manhã e ela me fala que no próximo sábado vaihaver uma festa no clube da cidade. Perceba que serão sete dias o que separa oprimeiro contato entre duas pessoas que se amam da data do tal evento. Porqueeu falo isto? Porque você perceberá ao longo desta narrativa a tortura que éesperar esta extensa semana enquanto meu amor se prepara para mostrar paratodos a nova dança que aprendeu com as amigas no salão.

À noite ao chegar a casadela sorrindo de felicidades, pois irei encontrar o meu amor novamente. Elaabre a porta e me dá um beijo carinhoso. Apaixonado como sempre digo.

– Eu te amo! Todas as vezesque falo isto para ela é a mais pura verdade. Mas a sensibilidade feminina quetodos nós conhecemos nas mulheres, aparece nas belas palavras que vem daquelaboca maravilhosa.

– Tá lembrado da festa? Nãová dá pra trás agora! Já marquei com minhas amigas e todas vão estar lá!

Ai você olha com cara dequem não pode dar uma resposta à altura da provocação. Sim provocação. Ou vocêpensa que a vontade não a de dar as costas e ir para casa descontar aquele sonoperdido no final de semana que passou?

Terça-feira no trabalhoalguém grita.

– Telefone pra você? E eupergunto.

– Quem é?

O sorriso no rosto do colegade trabalho denuncia quem está do outro lado da linha telefônica. Desloco-meaté a mesa onde está o aparelho e ao passar no meio da sala todos me olham comaquele ar de “ta lascado”. Naquele momento você não consegue entende a reaçãodas pessoas, isto só vai acontecer quando toda essa história acabar. Se é queacaba. Ao atender o chamado do meu amor me derreto todo em carinho. Você sabequem ama perde a consciência do que acontece ao seu redor.

– Oi amor, você está bem?Estou com saudades de você, podemos almoçar juntos hoje?

A resposta vem logo emseguida, mostrando que eu sou correspondido.

- Claro meu amor! E elaemenda outra frase, mas bem poderia não ter feito. - Amor. Que lindo a voz delame chamando de amor.

– Que roupa você acha quedevo usar para irmos à festa?

O que? Lá vem ela novamentecom o mesmo assunto. A Festa!

– Querida você pode usarqualquer coisa que mesmo assim ficara linda como sempre. Não fique preocupadacom isto eu gosto de você do jeito que você é. É besteira querer me agradar.Você já sabe que gosto do seu jeitinho simples de ser.

Melhor seria não ter ditoisto.

– Mas é que minhas amigasvão comprar uma roupa nova só para ir ao baile e eu não tenho uma roupa quesirva para mim. Todas elas vão estar lindas e eu? Eu vou com aquela que fui aobaile passado? O que vão dizer de mim? Que só tenho esta roupa!

O primeiro som de choro ecoapela linha telefônica. Sem graça, pois todos os colegas de trabalho já tinhamparado os seus afazeres e estavam me olhando com aquela cara de espanto. Viromeu rosto para a parede, tentando diminuir o som da minha voz para que aspessoas não ouvissem o que eu falava.

– Não chore amor, quando eusair daqui nós vamos almoçar e depois se houver tempo, ainda hoje, passamos emuma loja e eu te compro um vestido novo. Nesta hora não sei se a palavra“compro” serviu como remédio, o certo é que do outro lado da linha já não haviamais ninguém a chorar e só ouço uma voz carinhosa me fazendo juras de amor.Acho que foi nesta hora que me senti mais amado ainda e o meu amor por elaficou muito maior.

Na quarta-feira marquei deme encontrar com ela. O vestido que adquirimos no dia anterior precisava de unsajustes. O corpo da minha amada é lindo, posso dizer a você que ele é perfeito.Lá estava ela me esperando. O amor é belo. Ao me ver, ela vem correndo com seusbraços abertos e me dá um grande e forte abraço. Tentei me lembrar de outro queela tenha dado e não me lembro de um tão bom assim. Não adianta insistir, nãolembro. Ouço vozes ao redor. E estas eu conheço, são as amigas dela que tambémvieram para dar palpite no vestido. Não vou me alongar aqui, pois a noiteestive na casa dela e ao ser recebido você já deve ter percebido qual foi àfrase que ouvi. Não lembra? Lembra sim. Não insista para que eu repita. Tá bom!

– Estou nervosa, acho queesse baile vai ser o Máximo. Ham? Você queria o que? Que eu repetisse a mesmafrase? Não ia ter graça!

Chegou à quinta-feira. Pelojeito chega o domingo e parece que este sábado não vem. Ela acabou de me ligarfalando que a costureira tinha errado algo no figurino do vestido. Fiqueipensando no que eu poderia ajudar e não cheguei a nenhuma conclusão. Trabalhocom eventos e não lembro ter feito qualquer curso de alfaiate ou de estilistapara dar minha opinião abalizada neste vestido. Mas, lá vou eu ao encontro daminha amada. Avistei-a na entrada da loja onde tínhamos deixado o vestido.Parecia-me bem e eu não imagina que o mundo estava para acabar naquele momento.De longe ela parecia bem. Mas ao me ver chegando ela caiu em prantos. Táachando engraçado? Não? Imagine eu naquela situação em plena quinta-feira às02h da tarde e em plena rua com alguém a chorar desesperadamente como se algode perverso lhe tivesse acontecido.

– O que está acontecendo meuamor?

Eu sempre com carinho paradar a ela.

- O meu vestido. Acostureira acabou com ele.

Pensei comigo “a mulher deveter cortado o dito cujo e jogado a nossa ida a festa no lixo”. Comecei a gostardessa costureira.

– Me fala o que realmenteaconteceu com o vestido!

O meu tom de voz quasedenuncia os meus pensamentos. Com seus olhos cheios de lagrimas e soluçando,meu amor continua a falar.

– Aqui do lado esquerdo. Eladeixou maior que o lado direito e agora vai ter que fazer tudo novamente.

Pensei e deveria só terpensado e não falado.

– Mas foi só isto... Malterminei o que queria dizer e ela.

– Você também está torcendocontra. Quer que nada dê certo que é para não irmos à festa. Já tinha percebidoque era isto mesmo que você queria. Qual é o jogo que vai ter no sábado? Quersair com os amigos? O que está acontecendo? Quem é a outra?

Nesta hora, nesta hora émelhor pensar duas vezes antes de falar o que realmente vem à cabeça. É nestahora que você tem que medir o tamanho do seu amor por aquela pessoa linda emaravilhosa que você conheceu já faz oito anos. Pego ela pelo braço e vou aoencontro da costureira e pergunto se tem jeito o vestido. A mulher acaba de meinformar que o que aconteceu foi que uma costura teria feito uma costura forado lugar e que enquanto estávamos na frente da loja ela própria já teriaconcertado o erro da outra. Mais uma vez o sorriso volta aquele rosto lindo.Vejo o vestido pela primeira vez no corpo de quem eu amo. Perfeito. Ela vaichamar muito atenção na festa. Perai! Então se ela vai chamar a atenção detodos isto inclui os marmanjos! Tem algo errado nisto tudo, estou enfeitopresente pra vagabundo! Comecei a mudar de opinião quanto a ir à festa.

Chegou à sexta-feira. Jáestou nervoso com essa bendita ocasião que não chega. Foi o único assunto entreeu e meu amor durante toda a semana. Falei para todos do trabalho que hoje nãoatendo telefone. Desliguei o celular. Tenho que produzir ou vou ser demitido daempresa. À noite vou cedo para casa e caio na cama. Amanhã é o dia da festa enada pode dar errado. Ela estando feliz eu estarei feliz.

08h da manhã do sábado e játem alguém batendo na minha porta. Ouço uma voz feminina. É o meu amor. Acordaresta hora com minha linda é maravilhoso. Ganhei o dia. Quando abro a portarecebo um beijo. O amor é lindo.

– Passei por aqui para lhelembrar que você deve passar em casa às 21h. Vou estar pronta te esperando.Acorda pra vida meu amor.

Que palavras maravilhosaspara serem ouvidas numa manhã de sábado e ainda com sono. Tenho a impressão queeste dia vai ser longo. São 13h e já com o celular ligado e carregado que épara nada sair errado, recebo uma ligação dela.

– Amor tá lembrado da hora?Respondo que sim.

– As meninas estãoperguntando se dá pra passarmos na casa delas para irmos juntos a festa? Parouns segundos e...

– Sim meu amor. Faremos comovocê quiser.

19h e mais uma ligação. Jáestou com os nervos à flor da pele.

– Amor que horas você vemmesmo?

– Na hora que você pediu! Eela emenda.

- Que horas mesmo? Acho queela tá querendo me testar para saber se eu me lembro do combinado. Nesta elanão vai me pegar.

– Às 21h querida. E ela.

– Ainda bem que nãoesqueceu! Ufa!

20h30m e agora quem faz umaligação sou eu.

– Amor eu já estou saindodaqui, você está pronta?

– Não querido, passe antesna casa das meninas e depois você vem me buscar. Assim quando você chegar euvou estar prontinha para irmos à festa. Percebi que nesta festa vou ser só umacessório e não estou gostando disso. Passei na casa das amigas e nenhuma dastrês estava pronta ainda. Como não tinha aonde ir fui à casa do meu amor comocombinado durante toda a semana. Ao chegar toquei a campainha e quem vem mereceber? Ela, meu amor... Que ainda nem banho tomou, nada de cabelo pronto,nada de estar vestida com aquele bendito vestido que me deu uma tremenda dor decabeça durante toda a semana. Com a voz em tom de desaprovação. Isto mesmoimagine ai um tom ríspido, dos que você faz quando perde a paciência com o seuamor. Foi desta forma que me dirigi a ela.

– O que aconteceu que vocêainda não está pronta? E ela.

– Você chegou cedo demais!

– Eu o que? Nesta hora,novamente, o melhor que você deve fazer é pensar naquele livro de auto ajudavendido no camelô por R$ 1,99 e que você tem na cabeceira da sua cama e lêtodas as manhãs antes de sair para o trabalho. Ele agora lhe será de grandeajuda. Não perca a cabeça, afinal em sua frente está à mulher que você querpara toda a sua vida. Ou que vai fuder a sua vida.

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