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A arrogância que vem da capital

A arrogância que vem da capital

01/10/2021 07h19 Atualizada há 5 anos atrás
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A arrogância que vem da capital

Nos anos 80 eu comecei amilitar no movimento estudantil em minha cidade, Paulo Afonso na Bahia. Para seter uma ideia de como as informações chagavam a nós, posso informar que era atravésdo telefone. E só um de nós, o Zé Ivaldo, tinha um aparelho desses. Na verdade erao pai dele, Zé Ferreira, que tinha em sua loja de venda de moveis. Então,quando não conseguíamos ter acesso, o jeito era ir para a fila no postotelefônico que tinha três cabines e disponibilizava cinco minutos para cadapessoa ou grupo. Era assim que ficávamos sabendo o que acontecia no meio estudantil.

Certo dia, fomos convidadosa um encontro estadual a ser realizado na capital, Salvador. E lá fomos nós de ônibusda Viazul que batia mais que coração de ladrão na hora do “teji preso”.

Durante o encontro na sedede um Sindicato na Rua Carlos Gomes, que entrou pela madrugada, aconteceualgumas votações para decidir o encaminhamento das propostas sugeridas e foi aíque aconteceu um fato interessantíssimo. Um dos lideres do movimento e moradorda capital pediu a fala e fez a proposta de que cada voto de estudante deSalvador valesse dois e do pessoal da interior, pasme, só valeria um.

Sabe quando um matuto sesente humilhado? Pois fui eu naquele momento. Mal o cabra se calou e eu jáestava de pé pedindo a palavra. Lembrei a todos que ali estavam que o interior tinhaa maioria dos presentes e que não aceitaria uma proposta tão escrota quantoaquela. O interior venceu e vencemos a quase todas as propostas apresentadasnaquela noite.

Esta forma de tratamento como interior da Bahia ainda acontece hoje, um pouco mais disfarçado, mas estápresente nos encontros realizados quando se juntam todos. O mais louco é quegente que saiu do interior para morar na capital, e agora acham que se tornaramsoteropolitanos refletem este pensamento tacanho. E eu sempre que estou lá mostroque a Bahia é mais que a Praça Castro Alves, que as Ladeiras do Pelô, a Bahia éum todo e é composta dos 417 municípios com seu povo que pensa diferente um dooutro.

Pois bem, nós estamos a umano das eleições para governador no Estado. Segundo as duas últimas pesquisas adireita está levando vantagem. O que me parece injustificável, já que JaquesWagner deixou o governo com aprovação da maioria dos eleitores e elegeu em 2014seu sucessor, Rui Costa, que se reelegeu e está atualmente no governo. Mas nãoé o que achamos que está no levantamento dos institutos de pesquisas. Nada parase preocupar demasiadamente. A Bahia tem esse histórico nos levantamentos e oresultado é sempre favorável à esquerda por aqui. Mas não é hora de ficardeitado na rede.

Eu não sei quem é a equipeque hoje está pensando a campanha de Wagner para o governo do ano que vem, masvou falar de um sentimento que está feito fogo de monturo entre a militância,deputados estaduais e federais da base aliada. Tem muita gente insatisfeita coma condução. As reclamações acontecem sempre que dois ou mais se reúnem e a conversaé sobre eleições de 2022.

Algum, ou alguns iluminadosna capital, acharam que Wagner não deve dar entrevistas as rádios do interior,ou a Blogueiros, jornalistas, ativistas digitais ou o escambau. A não ser osescolhidos a dedo por estes ou aqueles veículos do Sul e Sudeste. Talvez elesachem que, mesmo em tempo de velocidade na comunicação e não mais via telex, ocabra do interior, que ouve a rádio local, comercial ou comunitária, se dê aotrabalho de buscar “A” ou “B” para se informar vindo lá das bandas do “SulMaravilha”. A maioria da população no Brasil, e a Bahia, faz parte disto, aindavive os seus costumes interioranos, e “José” ou “Maria” é quem é ouvido e lidoem seus mundos, e é lá que Wagner tem que ir falar.

Quem está pensando acampanha de Wagner precisa viver no mundo da comunicação instantânea que estáacontecendo em todos os recantos da Bahia e sair do mundo analógico em queestão, sabendo que, a comunicação mudou, mas o povo vive mesmo é em seu mundo,é na conversa nas praças, ouvindo a rádio local ou regional, lendo o jornal dacidade, o Blog ou Site, debatendo o que disse o locutor no programa popular,ouvindo o carro de som que passa anunciando até o velório do dia, nos grupos debate papo durante o dia todo. O fuxico que antes era de vizinha para vizinha,agora é no whatssap, telegram, facebook, twitter...

Parafraseando MiltonNascimento, todo politico tem de ir aonde o voto está.

Wagner, o interior precisaser ouvido.

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