Quando seexacerbam as rivalidades de blocos, anunciantes do confronto entre oimperialismo norte-americano e a emergência eurasiana, liderada pelaChina, ensejando a países com as nossascaracterísticas a oportunidade de abrir seu próprio caminho, o governo docapitão, dos generais comissionados edos empresários sem pátria opta pela aliança subalterna à geopolítica do grandeirmão do Norte. É o preço de uma classe dominante alienada e forânea, refletidano bolsonarismo.
No plano interno,o saber é visto sob suspeita; a escola pública é mal a ser erradicado; aprodução do conhecimento, mormente aquele que enseja a autorreflexão, é chaga aser combatida. O Brasil dos sonhos do reacionarismo não precisa de técnicos, decientistas, de pesquisadores ou de professores, simplesmente porque nãovislumbra projeto autônomo de sociedade e país.
Este verdadeiroantiprojeto nacional, no qual se empenha o bolsonarismo, é, contudo, obrapartilhada pela classe dominante, porque dele usufrutuária; não se ouve, atéaqui, um pio de protesto do chamado empresariado quando o governo, com oconcurso de um congresso dominado pelo fisiologismo do “centrão”, corta quase todo o orçamento do CNPq, 90%das verbas destinadas à pesquisa. O país vai mal; o povo, desempregado,subempregado ou desalentado, de mal a pior; mas a casa-grande ri a bandeirasdespregadas.
O neoliberalismodo ministro da Economia levou o país à estagnação, os trabalhadores aodesemprego; no entanto, quanto mais aumenta a pobreza, mais crescem osdividendos da burguesia rentista, beneficiária de um capitalismo demarginalização social, cujo leitmotif é aumentar o lucro dos que já têmtudo. Dos pobres se extrai o salário, aprevidência, o trabalho e a esperança. Se o real –arrastado pela estagnaçãoeconômica – é desvalorizado, os especuladores, como o inominável Paulo Guedes,acumulam dólares nos paraísos fiscais onde enfurnam suas fortunas, que nãoparam de crescer enquanto a economianacional desliza ladeira abaixo.
Os números são escandalosos:em dez anos o crescimento de favelas corresponde a 95 mil maracanãs.
Possuímos umaorgulhosa agricultura, altamentecapitalizada, de alta produtividade e de alta lucratividade, mas que não alimenta a população. Hoje, nasegunda década do terceiro milênio, 112 milhões de brasileiros sofrem algumgrau de insegurança alimentar e 20 milhões enfrentam a fome, diariamente(Dados da Rede Brasileira de Pesquisa emSoberania e Segurança Alimentar).
A produçãoindustrial, enquanto a FIESP nem tuge nem muge, observa a quarta queda mensalconsecutiva e a sétima em nove meses, imposta por redução de demanda. Caiu em outubro (0,4%) quando em setembro jáestava em 19,4% abaixo de maio de 2011, assinalando um comportamento negativopersistente. Qualquer hipótese de desenvolvimento vai requerer investimento,uma dependência do mercado interno que não se conjuga com concentração de rendae desemprego.
A panaceia doespeculador sentado no ministério da economia é a redução de direitos trabalhistas, mantra do sistema financeiro, enquanto ofracasso rotundo do neoliberalismo de oitiva favorece a persistente alta dodólar, alimenta a inflação e aciona a espiral dos juros que congela oinvestimento privado.
O perversocasamento da inflação com a recessão, constrói a estagflação, o pior dosmundos. O PIB deste ano deve girar emtorno de 1% (se podemos nos fiar nas projeções do Banco Central). Já relativamente a 2022 as estimativas variamentre “crescimento” zero e 0,5%(murmúrios do “mercado”). A inflação nãodeve conformar-se nos 10% de hoje,índice já bem acima da meta (3,7%). Começaremos 2022 com uma expectativa de 11%de juros (Selic). A queda das vendas do varejo (o outro nome da queda doconsumo) de setembro último em comparação com setembro de 2020 foi de 5,5%(IBGE). Mesmo a construção civil, que se tinha como restabelecida, revela asconsequências da crise que, política, invade a economia, e se revela de corpointeiro na queda do Índice de Confiança, calculado pelo Ibre/FGV, a primeira emseis meses.
Um general daativa desmontou o Ministério da Saúde, e assim o exército contribuiu para o aumento das vítimas da pandemia, que ocapitão batizara de “gripezinha”; um general da reserva, com saláriossuperiores a 300 mil reais, empenha-sena destruição da Petrobrás que colegas seus de outra cepa ajudaram a construir. Quando o Brasil alcança a autossuficiência em petróleo, a gasolinaatinge o maior valor do século, e é vendida nas bombas à média de R$ 8,00 olitro.
O país vai de mala pior: queda da bolsa, queda da produção industrial, alta do dólar. A inflaçãode dois dígitos, com tendencial decrescimento, corrói a economia e consomeo poder de compra dos trabalhadores. Odesemprego – que alcança quase 14% da população ativa -- dá as mãos à estagnação econômica, e aexpectativa de recuperar o desenvolvimento recua às calendas gregas; milhões debrasileiros passam fome – catando comida em caminhões de lixo e ossos emaçougues. Mas a burguesia financeira tem todas as razões para soltar balões,pois os bancos jamais lucraram como agora! O trio Santander, Itaú e Bradesco vê os ganhos crescerem 28,5% no findo terceirotrimestre. É mais um “prodígio” do capitalismo brasileiro, a fazer inveja aoprofessor Delfin Neto, o mago do “milagre econômico” da ditadura militar. O Bradesco registrou lucro líquido de R$6,767 bilhões uma alta de 34,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Osegundo maior resultado da história do conglomerado. Mas não deixou seus irmãosde oligopólio chupando o dedo: o Itaú anuncia um lucro de R$ 6,77 bilhões, umcrescimento de 34,7% e o Santander, no mesmo trimestre, um lucro de R$ 4,27bilhões, o que representa uma alta de 12,1% sobre o mesmo trimestre do anopassado. Não há emprego, não há renda, não há consumo, produção em queda, mas ocapitalismo brasileiro é capaz de produzir assombro como esse.
Por isso, noBrasil, faça chuva, faça sol, rico ri à toa.
A retomada de desenvolvimento com progresso social está a depender de a futuranova ordem governante – na expectativa de um governo de centro-esquerda –dispor, ademais de firme decisão política, de sustentação em uma nova maioria, de que careceram os governos Vargas(1951-1954), Jango e Dilma, com as consequências conhecidas. Essa nova correlação precisará ser concertadamediante amplo e franco debate político com toda a população, quando o programade governo (ainda só reformista) deverá ser exposto com exemplar clareza, comoem um verdadeiro plebiscito. Só nesses termos a eleição do novo presidenterepresentará a opção programática do povo, que, assim, poderá ser mobilizado para a defesa de seusinteresses.
Um país embrutecido – É estarrecedora a quase frieza com aqual o país recebeu a morte de Nelson Freire, um dos dois ou três gênios quenossos 500 anos de desencontro civilizatório conseguiram produzir.
Abaixo o arrocho salarial – Nosso apoio aos confrades de OGlobo, Valor, Estadão e Folha de S. Paulo em sua luta por condições dignas detrabalho.
Gilberto Gil imortal – Aquele abraço!
Por: Roberto Amaral.
Bahia Preço da Hora Bahia aponta produtos mais em conta para ajudar na economia doméstica
Alagoas Polícia Militar resgata jaguatirica em área urbana no município de Penedo
Alagoas Aplicativo do Programa Saúde Até Você Digital alcança mais de 140 mil consultas
Bahia PNUD seleciona consultoria para elaboração do Plano de Governança de Dados da SEI
Alagoas Polícia Militar de Alagoas registra 10 crimes eleitorais durante a votação do segundo turno
Bahia OSBA apresenta obras de Mahler e Tchaikovsky em concerto da Série Jorge Amado Mín. 24° Máx. 40°
Mín. 23° Máx. 35°
Tempo limpoMín. 20° Máx. 37°
Tempo limpo