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O silêncio dos grandes meios à viagem de Lula à Europa é um escárnio (Por Roberto Amaral)

O silêncio dos grandes meios à viagem de Lula à Europa é um escárnio (Por Roberto Amaral)

21/11/2021 05h56 Atualizada há 5 anos atrás
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O silêncio dos grandes meios à viagem de Lula à Europa é um escárnio (Por Roberto Amaral)

Toda sociedade que se preza (como EUA, Rússia, China e Cuba)tem sua própria visão de mundo, de que decorre a projeção e defesa  de seus interesses; são países  detentores daquilo que alguns chamam de“caráter nacional”, uma  autoidentidadedefinidora do papel que a nação soberana decide desempenhar no jogo dos blocoseconômicos e militares. São  países quepossuem  pauta própria, atores históricosassistidos por classes dominantes servidoras da sociedade e do projeto de país.Não é o caso brasileiro, como se vê. Nossas chamadas elites são forâneas ealienadas, descomprometidas com a construção de um projeto de país,reprodutoras dos valores e dos interesses da potência hegemônica. Falta-lhestudo, mas falta-lhes principalmente o sentido de pertencimento a uma ordemcomum. Não se identificam com o país, muito menos com seu povo. Essa eliteaculturada nos governa em todos os campos da atividade humana: nos negócios, napolítica, nos partidos, num congresso desfibrado à mercê do centrão, numjudiciário paquidérmico e classista, numa academia que não enxerga um palmoadiante do nariz, insensível ao Brasil real que tenta sobreviver do lado defora de seus muros.

Quem não tem luz própria é levado a reproduzir os valores, aideologia, os interesses das forças hegemônicas.  Neste quadro, destaca-se o papel dos grandesmeios de comunicação, no Brasil um decadente oligopólio empresarial a serviçodo monopólio ideológico, instrumento da dominação de classe. O mundo de suapercepção, aquele que traz para os lares brasileiros, é o mundo das grandesredes de comunicação europeias e norte-americanas, que assim nos ditamsimpatias e antagonismos, em função da geopolítica do comércio e da guerra. Nofrigir dos ovos é o Departamento de Estado dos EUA que decide o que a imprensabrasileira deve pensar e transmitir sobre seus adversários e aliados. Mediantesuas lentes é que olhamos para a China, para a Rússia, para a Ásia e o Oriente,para palestinos e judeus, para nossos vizinhos.

E, ainda, é por esse filtro que nos vemos a nós mesmos.

O silêncio dos grandes meios à presente viagem de Lula àEuropa é um escárnio a qualquer noção de decência e escancara seu partidarismo,e só foi quebrado, ao fim,  graças àsjanelas propiciadas pelas redes sociais.

Os jornalões, na comunhão do autoritarismo com apartidarização, não gostaram do primeiro volume da biografia que FernandoMorais, este belo escritor e repórter, escreveu sobre Lula. Reclamam sem parar. Simplesmente porque Morais nãotratou, até aqui, dos processos de corrupção na Lava Jato (Estadão,17/11/2021). Na mesma edição, que  nãoreserva uma só linha à viagem de Lula à Europa, o colunista Marcelo Godoy,muito respeitado pelas suas sempre boas análises sobre o poder dos fardados,reclama porque o leitor do autor de Olga e Chatô,  rei do Brasil nãoencontrará, na biografia de Lula,  a“análise das acusações, das provas e dos processos que levaram à condenação doex-presidente”.  A quais provas,porém,  e a quais processos se refere ocolunista? Àquelas provas e àqueles processos anulados pelo STF? Ora, essasdescreditadas acusações tonitruadas nos tempos da Lava Jato (empreendimento quenão teria o bom êxito que obteve  nãofosse o concurso da grande imprensa) estão sendo repetidas, repisadas,cozinhadas e reavivadas todo santo dia pelo jornal em que Marcelo Godoyescreve. Por que haveria Fernando Morais de levar mais água para o moinho dacandidatura do “juiz ladrão” (na precisa qualificação do deputado federal Glauber Braga), o único juiz brasileiroque mereceu do STF a condenação de juiz parcial? 

Há, porém, no texto de Marcelo, um parágrafo que podesugerir reservas à editora da biografia de Lula. É  quando Godoy admite que “haveráquestionamento à Companhia das Letras sobre a opção de editar a obra que tratado petista feita por um escritor que declara simpatia pelo ex-presidente”. Esteparágrafo soa estranho, insinuando um vício ético. Em princípio sugere algomuito próximo de censura à Editora, e põe em dúvida as credenciais de FernandoMorais. Godoy pretenderá  dizer que, paraser isenta (se é que uma biografia ou um texto jornalístico qualquer, ou mesmouma pesquisa histórica, pode arguir isenção), a biografia de Lula deveria serencomendada a Moro, Dallangnol ou Ciro Gomes? Ou, talvez a um extraterrestre.Por fim, no evidente intuito de depreciar a obra de Morais, o colunista terminapor reduzi-la a mera versão “de um jornalista que tem lado”. Ora, Marcelo,todos temos lado, você tem lado, Fernando Morais tem lado, como esteescrevinhador; a diferença é que o nosso é distinto do seu.

Autocolonizada (a submissão é uma escolha), a classedominante brasileira é bisonha e frívola, ridícula em sua macaquice diante dapotência econômica e seus valores, a fonte única de seu modo de ser, que tentacopiar.  Depois da ‘Estátua daliberdade’, o ridículo atroz erguido como imagem votiva de um shopping centerna Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para a adoração de “emergentes”, a Bolsa de Valores de São Paulo, temploe altar do capitalismo brasileiro em sua versão especulativa, instalou, na suaporta, uma réplica do Touro de Ouro (Changing Bull)  que orna Wall Street, em Nova York. O bovino,por sinal,  mereceu foto na capa doEstadão. Homenagem significativa. Nada mais denotativo da assimilação pelocolonizado do discurso do dominador. O que Frantz Fanon, em Os condenados daterra, chamava de fraqueza congênita da consciência nacional dos paísessubdesenvolvidos, a saber: o resultado da traição de sua burguesia, desde aorigem mais remota da formação nacional associada aos interesses da metrópole eguardiã de seu domínio sobre a colônia.

Nada mais ilustrativo de um triste país que se deixariadominar pelo bolsonarismo.

 

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A herança da Lava Jato - Segundo o DIEESE, as operações da LavaJato levaram à perda de 4,5 milhões de empregos. Foram destruídas a indústrianaval nacional e as cadeias produtivas do petróleo, e desmontada a indústria deengenharia civil. O pré-sal, como sabemos, foi entregue a empresas estrangeirase multinacionais. Dados para a próxima campanha eleitoral.

Plantão econômico – A energia elétrica residencial acumula,entre outubro de 2021 e outubro de 2020, uma alta variável entre 19% e 39%,pressionando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A inflaçãono período é de 10,6%, atingindo mais duramente o desempenho dos segmentos decombustíveis e  supermercados. As vendasdo varejo caíram 1,3% em setembro.

Tudo em casa, como sempre – O atual diretor de políticaeconômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, conclui seu mandato em 2022 e serásubstituído por Diogo Guillen, economista-chefe da Itaú Asset.

Segue a dilapidação da Petrobras – A empresa presidida pelogeneral Joaquim Silva e Luna (ministro da defesa no interregno de Michel Temer)vendeu a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) ao grupo canadense Forbes& Manhattan Resources. É a terceira venda de refinaria da companhia, que jáse desfez de 17% da capacidade do parque nacional de refino. A propósito: olitro do diesel acumula no ano um aumento de 65%.

Por: Roberto Amaral.

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