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Em tempos do Inominável me falte até inspiração

Em tempos do Inominável me falte até inspiração

12/05/2022 10h22 Atualizada há 4 anos atrás
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Em tempos do Inominável me falte até inspiração

São tantas notícias tristesnas páginas dos jornais, revistas, Blogs e Sites e até na Televisão que o sentimentode indignação com tudo o que acontece diariamente no Brasil foi me deixando sememoções que justifiquem assombro ou algo parecido.

Eu nunca estive em umsanatório, mesmo que de passagem, mas pelo que já li sobre o que acontecia nopassado e ocorre hoje em dia, me parece que estamos no que um dia definiu opoeta Chico Buarque em sua bela canção, “Bastidores”, “Num tempo página infelizda nossa história. Passagem desbotada na memória das nossas novas gerações. Dormiaa nossa pátria mãe tão distraídas sem perceber que era subtraída em tenebrosastransações”. E é assim que estamos sobrevivendo.

Nos tiraram o sorriso do rostoe só nos resta caras fechadas. Acabaram com os sonhos dos meninos e meninas eas histórias infantis perderam a graça de um Pequeno Príncipe, de gibis onde víamosa Mônica correndo sempre atrás do Cebolinha com seu coelho de pelúcia.

Hoje a verdade virou artigo deluxo e quem a pratica é visto como o diferente da sociedade. E como enfrentar amentira, o mentiroso? Como sentir a felicidade de escrever um texto que possatrazer algo novo, quando tudo já está tão batido e rebatido, agora com versõesque para todos os gostos, e claro, sempre com uma pitada de inovaçãoBolsonarista.

E vivemos o dilema decontinuar a falar o que acreditamos ser a verdade quando a mentira tem o poderde mobilizar milhões. Diante desta situação, me falta até inspiração para falarde algo que não domino.

Só resta buscar inspiraçãopasseando pelas estradas de terra da minha terra natal, onde cangaceirospisaram, Antônio Conselheiro seguiu para montar a primeira reforma agrária doBrasil pelas bandas de Canudos e Dona Catarina em sua fazenda serviu deinspiração para o Raso e onde vejo o urubu Rei passear na manhã ensolarada quequeima a pele do corpo de qualquer Cristão que se aventura em visitar a Baixado Chico e dar e cara com os Índios Pankararés que moram por lá.

 

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