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Argentina, 1985. Momento oportuno

Argentina, 1985. Momento oportuno

27/10/2022 08h15 Atualizada há 4 anos atrás
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Argentina, 1985. Momento oportuno

De tempos em tempos escritorese diretores de cinema revisitam a história. No Brasil no ano passado, 2021,tivemos o filme Mariguella do ator e diretor Wagner Moura que conta amilitância política do guerrilheiro que enfrentou a ditadura sem nunca perder aternura. Inicialmente o filme teve dificuldades em sua distribuição e foiacusado, pela extrema direita do Brasil, de panfleto da esquerda. Na verdade,os fatos apresentados na telona são a pura verdade de um período em que o paísesteve submergido a ditadura militar.

E é sobre ditadura militar queo filme Argentina, 1985, retrata de forma emocionante tudo o que aconteceunaquele país após a saída dos militares do poder e com a chegada da democraciapor lá.

Com forte apelo emocional,daqueles que nos faz encher os olhos de lagrimas à medida que as cenas vãocontando a história dos dois promotores, Julio Strassera e Luis Moreno Ocampo. Eles foram os escolhidos para investigar e processar os principais generais argentinos quecomandaram com mão-de-ferro a ditadura por lá.

Os dois tiveram muitadificuldade em formar uma equipe de promotores. Já que a cada nome quepensavam para ajudar no trabalho, logo se ouvia “é fascista” e iam descartando um a um. O que lhesrestou foi montar uma equipe de jovens advogados sem experiência alguma, mascom a vontade e a determinação de processar e condenar os responsáveis pela morte de milhares deargentinos em nome de uma suposta guerra contra o comunismo.

As interpretações de RicardoDarín e Peter Lanzani como os promotores Julio Strassera e Luis Moreno Ocampo, foramde uma qualidade que merecem ser indicados ao Oscar na categoria de atorprincipal e coadjuvante.

Lá com Argentina, 1985. Aquicom Mariguella. E no Uruguai com Uma Noite de 12 anos, que conta o suplício de Pepe Mujica ealguns companheiros nas prisões do país, a era dos extremos começa a ser contadasem que se tenha medo da censura. Os diretores, autores a até mesmo os atoresenvolvidos nesses projetos, merecem ser aplaudidos de pé. Eles estão sendo importantespara que as novas gerações possam tomar conhecimento do que foi, em cada país,suas ditaduras militares.

Ver Argentina, 1985 é umaobrigação aos que querem conhecer a história por dentro do processo que colocouos militares de lá na prisão.

Aqui no Brasil, por conta daLei da Anistia Geral e Irrestrita, os militares responsáveis por torturas eassassinatos no período sangrento de 1965 a 1985, se livraram de julgamentos e possíveisprisões e alguns desses ainda hoje aparelham o governo atual de Jair Bolsonaro.

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