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Sistemas agroflorestais trazem renda e sustentabilidade para famílias agricultoras de Cansanção

Sistemas agroflorestais trazem renda e sustentabilidade para famílias agricultoras de Cansanção

17/03/2023 11h03 Atualizada há 3 anos atrás
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Sistemas agroflorestais trazem renda e sustentabilidade para famílias agricultoras de Cansanção

Agricultores e agricultoras familiares da Bahia celebram osresultados da aplicação de ferramentas utilizadas para realizar o balanço decarbono na atmosfera. São quatro projetos-pilotos executados, no Semiáridobaiano, pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada àSecretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Os dados revelam a redução nobalanço de carbono, o que é fundamental para amenizar o aquecimento globalresultante da emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Um desses projetos foi implantado em 15 áreas do municípiode Cansanção, no território de identidade Sisal. Antes degradadas devido aomanejo incorreto do solo, desmatamento e queimadas sucessivas, os locais agoraabrigam frutíferas, leguminosas e áreas de preservação com plantas nativas daCaatinga, tudo em sistema agroflorestal. As mudanças significam um potencial desequestro de carbono de -4.269 toneladas de carbono equivalente (tCO2-e),considerando um período de 10 anos de impacto.

A avaliação é resultado da adoção, pelo projeto da CAR,Bahia Produtiva, da ferramenta Ex-ACT (Ex-Ante Carbon Balance Tool),desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para estimar o balanço dos GEEem projetos agropecuários e florestais.

Uma das associações beneficiadas pelo projeto, em Cansanção,é a Associação dos Pequenos Agricultores de Capoeira (Apac), que recebeu paracada uma das 15 áreas um aprisco para a criação de animais, uma cisterna de 16mil litros; e área cercada para produção, contando com consultoria para omapeamento e a separação de 20% da área para a preservação da Caatinga. Alémdisso, os agricultores e agricultoras tiveram o acompanhamento da prestadora deassistência técnica e extensão rural (ATER), Humana Brasil.

O técnico da Humana Brasil, Anderson Ferreira, enaltece amudança de postura de agricultores e agricultoras da comunidade de Capoeira. “Opovo resistia muito a essa questão do reflorestamento, mas hoje essa comunidadeé um exemplo, tanto é que outros agricultores que não foram beneficiados peloprojeto já nos solicitaram esse apoio no mapeamento das áreas. Aqui tinha ocostume de tocar fogo nas matas, mas hoje é tudo muito separado: os cultivos decada agricultor e a área de preservação”.

O cuidado com as questões climáticas e de sustentabilidaderesultam também em mais renda. O agricultor Rafael Moreira está satisfeito ecomemora os resultados da sua produção. “Eu já estou tendo renda com o projetoe já comercializei o aipim para o Programa Nacional de Alimentação Escolar(PNAE), aqui do município. É importante também para o nosso consumo, porquehoje eu já tenho melancia, umbu, caju, licuri, feijão de corda, maxixe e tudo agente consome em família”.

Quem também está animada com o projeto é a agricultora CeresFernandes, que já consegue enxergar evolução na sua área. “Foram muitosbenefícios! A área estava muito degradada e agora é lindo quando eu venho aquie vejo essa diversidade de plantas. A gente aprendeu muito, com a assistênciatécnica, a fazer a cobertura do solo para conter a umidade. A cisterna tambémfoi muito importante para a gente poder molhar as plantas e o aprisco tem avantagem de ser um lugar de sombra seguro para as minhas cabras e eu tenho comoalimentá-las melhor”.


Mais tecnologias

Os investimentos na agricultura familiar do local não parampor aí. Além dos sistemas agroflorestais, outras 25 famílias aguardam a chegadade mais tecnologias socioambientais importantes para a convivência com oSemiárido. Em breve, outras 16 famílias receberão cisternas de 52 mil litroscom canteiros econômicos para a produção, seis famílias vão ter acesso a umbiodigestor e três famílias serão contempladas com o sistema de bioágua. Tudoisso representa um investimento total de mais de R$ 1 milhão.

“O biodigestor vai nos ajudar com a economia do uso dobotijão de gás, pois vai gerar gás para o cozimento dos alimentos e também podegerar um biofertilizante para as hortas das famílias. O sistema de bioágua vaiser bom para reutilizar a água normalmente desperdiçada na pia e as cisternasvão fortalecer a produção da agricultura familiar, o que vai possibilitar umamelhora tanto na alimentação das famílias, quanto na comercialização via PNAE ePrograma de Aquisição de Alimentos (PAA)”, ressaltou o Agente Comunitário Rural(ACR), Adriano Silva, que atua na comunidade de Capoeira.

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