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A Bahia é mais do que o Acarajé e a batida do Olodum

A Bahia é mais do que o Acarajé e a batida do Olodum

20/03/2023 08h29 Atualizada há 3 anos atrás
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A Bahia é mais do que o Acarajé e a batida do Olodum

“Você já foi à Bahia, nega?Não? Então vá...” disse o cantor e compositor Pernambucano Lenine na música “Láe Cá” para chamar a atenção daqueles que nunca viveram um estado de espiritoúnico, o Baiano. A frase se refere a Bahia da cidade de Salvador, aquela dabatida do Olodum, do Acarajé nas ladeiras do Pelourinho, da música Axé que tomouconta do Brasil nos anos 80 depois da “nega do cabelo duro” de Luiz Caldas.

Essa é a Bahia vendida aoturista brasileiro e gringo, mas não é a BAHIA CULTURAL que é composta de 417 municípiose cada um com suas singularidades, e cada região com suas manifestaçõesculturais diversas. O que é vivido e festejado em Salvador, nem sempre é o queo Sertão do estado consome, lá onde o forró arrebanha multidões para suasfestas populares e ajuda a movimentar a economia da região com artistas que a “BAHIA”não conhece porque não é mostrado pela secretaria de cultura do Estado.

Há uma necessidade urgente deque a Cultura na Bahia seja democratizada e deixe de propagar unicamente o queé feito em Salvador e no recôncavo. Para estas duas regiões mensalmente sãolançados editais diversos para produtores e fazedores das artes. Mas e a Bahia,como fica?

No ano de 2007, quando ogovernador ainda era Jaques Wagner e o secretário de cultura o Márcio Meireles,aconteceu na cidade de Feira de Santana a II Conferência Estadual de Cultura naUniversidade estadual do estado. Naqueles dias apresentamos a proposta de que aadministração da cultura precisaria deixar a cidade Salvador e, também, estar presenteno interior.

Foi apresentada a proposta dacriação de Departamentos Culturais em todas as Sedes regionais, já que a Bahiaé um continente em extensão territorial. Foi aprovada por unanimidade pelospresentes no encontro. A época, Meireles disse que a proposta seria levada aogovernador e que iria defender, já que achava o melhor caminho para a diversidadeda cultura baiana. Mas até hoje não saiu do papel.

Podem chamar de PolosCulturais, Diretorias Culturais, Superintendências Culturais ou o quedesejarem, mas o governo da Bahia precisa levar a estrutura governamental paratodas as regiões e ver o seu povo como um todo e não unicamente o que é feitoem Salvador e no recôncavo.

Com estrutura governamentalpara a cultura em todas as regiões, manifestações regionais que se destacamterão oportunidades de serem mostradas e seus trabalhos a mais pessoas através deintercâmbios dentro do estado, com editais regionais, com técnicos que conhecemcada singularidade. Não se propõe o desmonte da estrutura na capital, mas avalorização da cultura nas regiões.

Pode alguém dizer que serámais gasto para o governo. Eu digo que é investimento no povo do lugar. E vamoscomer acarajé ou buchada, ouvir a batida do Olodum ou o Forró de Zezinho daEma, mas precisamos que a cultura na Bahia seja um todo e não só um taco do queela é.

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