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Bahia pode ter "novo Eldorado" sucroenergético, apontam investidores

Bahia pode ter "novo Eldorado" sucroenergético, apontam investidores

27/11/2019 10h35 Atualizada há 7 anos atrás
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Polo bioenergético e sucroalcooleiro está em implantação noMédio São Francisco

Um novo Eldorado do setor sucroenergético. Essa é a visão deempresários, agrônomos, agentes de bancos de fomento e de fundos deinvestimentos que foram conhecer in loco a implantação de um Polo deDesenvolvimento Bioenergético e Sucroalcooleiro, aposta do Governo do Estado,para potencializar econômica e socialmente o Médio São Francisco baiano. Umacomitiva de negócios, chefiada pelo vice-governador João Leão, secretário de DesenvolvimentoEconômico (SDE), esteve em Muquém do São Francisco e Barra do Rio Grande, naúltima semana, para atrair novos investidores para o projeto. O modelo bemsucedido da Agrovale, referência em agricultura irrigada no setorsucroalcooleiro em Juazeiro, também foi visitado.
 

A projeção é que o polo pode gerar 9,2 mil empregos diretose mais 30 mil indiretos na região, nos próximos anos. Isto porque a primeirausina de cana-de-açúcar, de um total de 10 previstas para produção de etanol,açúcar e energia de biomassa, está sendo implantada em Muquém do São Francisco,pelo Grupo Paranhos. O protocolo de intenções assinado com a SDE prevêinvestimentos de R$ 107 milhões, com possibilidade de gerar 921 empregosdiretos e até 3 mil empregos indiretos.

De acordo com Sergio Paranhos, presidente do Grupo, a usinavai dinamizar a economia regional e elevar até a pauta de exportações doEstado: “Além disso, a topografia favorável do terreno, o clima e a tecnologiade irrigação tornam o investimento viável”. A unidade industrial emimplantação, além de já empregar a população local no plantio e na construçãoda usina, terá capacidade de produzir 1,9 milhões sacas/ano de açúcar, 9,4 milm³/ano de etanol anidro e 9,4 mil m³/ano de etanol hidratado.

“Trouxemos usineiros de diversas partes do país, todosatestam que há viabilidade econômica. A qualidade da cana, do solo, osencantou. Temos a possibilidade concreta de implantar aqui mais indústriassucroalcooleiras, onde serão fabricados açúcar, etanol e energia de biomassa -com o bagaço da cana. A Bahia, com todo esse potencial, importa esses insumos.Mas, se nosso mercado consumidor está aqui no estado, é aqui que vamosproduzir”, destaca João Leão.

Para o vice-governador e titular da SDE, a intenção do poloé tornar a Bahia autossuficiente na produção sucroalcooleira em áreasirrigadas, diversificar o potencial energético da região, gerar emprego edescentralizar a arrecadação de ICMS no estado.

A Bahia hoje é o 10º estado na produção de cana-de-açúcar. Oestado consumiu 800 mil m³ de etanol em 2018 e produziu apenas 10%. O consumode açúcar é de cerca de 600 mil toneladas, entretanto, a produção baiana nasafra 2017/2018 foi de apenas 160 mil/toneladas, de acordo com a União daIndústria de Cana-de-açúcar e o Sindaçúcar.

Viabilidade

Antonio Neto, sócio proprietário da IDGR Investimentos, sediz surpreso por encontrar no Médio São Francisco uma nova fronteira agrícola.“Temos um amplo debate sobre expansão de fronteira agrícola e aqui é uma área inexplorada.Isto é extremamente interessante para os investidores. Num momento onde a taxade juros é muito baixa, o dinheiro rende muito pouco, então estamos atrás debons projetos e este é um bom projeto, com um solo que, irrigado, consegue teruma produtividade maior que em Ribeirão Preto. Para mim, isso aqui é o novoEldorado do setor de cana de açúcar e de geração de energia”, afirma.

“Não imaginava ter um projeto desta envergadura e nesteestágio de avanço, numa área pouco explorada, aqui no Muquém. É um projeto quejá saiu do papel. Há viabilidade de investimento, pois onde há oportunidade dedesenvolvimento local, o banco tem disponibilidade de se fazer presente”, dizFrancisco Ricardo Silveira, superintendente da Caixa Econômica Federal no Oesteda Bahia. Viabilidade ressaltada pelo técnico agrônomo do Banco do Brasil,especialista em cana, Juliano Santos Geraldo: “É possível sim o investimento naregião. Há condições técnicas, de solo e de plantio favoráveis”.

É o que também analisa o empresário argentino GabrielSustaita, diretor-presidente da Bevap Bioenergia - maior usina irrigada domundo, com 32 mil hectares irrigados em João Pinheiros, nordeste de MinasGerais. Para ele, o know how técnico do seu empreendimento pode ser utilizadono Médio São Francisco, assegurando alta produtividade da cana-de-açúcar, comeficiência e sustentabilidade. “Fomos convidados para compor essa comitiva porsermos produtores irrigados, com elevado conhecimento. Vamos avançar asconversas, pois vejo que tem muito potencial na região e compromisso do governobaiano com o projeto”, ressalta.

Barra do Rio Grande

As águas do Rio Grande, um dos maiores afluentes da margemesquerda do Rio São Francisco, e a luminosidade da região dão condições para aprodução irrigada também no município de Barra. “Isso é fundamental para o polosucroenergético, pois reunimos todas os fatores para tornar esse potencial umpolo produtivo”, destaca o empresário Pedro Leite, responsável pelo ProjetoIgarité, onde também funcionará uma usina de açúcar e etanol e proprietário de75 mil hectares de terras na região.

Já o consultor em agronegócio, Sylvio Ortega Filho, defendeque o polo sucroalcooleiro do Médio São Francisco, além dos empregos perenes ede boa remuneração, contribuirá para que o Estado deixe de importar açúcar eetanol, favorecendo a produção para consumo regional. “Aqui tem algumasvantagens: a cana é irrigada, a topografia é boa e isto resultará numa linha decana com extensão muito grande, sem a necessidade de fazer manobra dacolheita”, explica.

Agrovale

Referência em agricultura irrigada e produtividade de cana porhectare no estado, a Agrovale, em Juazeiro, tem capacidade instalada deprodução fabril de 180 mil toneladas de açúcar e 115 milhões de litros deetanol. São investidos anualmente em torno de R$ 30 milhões na unidade. Osempregos diretamente gerados, durante o período da safra, totalizam 5 mil nalavoura e 300 na indústria. Durante a entressafra essa quantidade reduz para 2mil empregos na lavoura, mantendo-se os 300 na área industrial.

Foto: Cana de Açúcar Grupo Paranhos_Foto Nilson Negrão.
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