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Golpe a vista? (Por Simão Pedro)

Golpe a vista? (Por Simão Pedro)

27/02/2020 10h37 Atualizada há 7 anos atrás
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Golpe a vista? (Por Simão Pedro)

BOLSONARO E SEUS MINISTROS, EM GESTO GRAVÍSSIMO, CONVOCAMATO CONTRA CONGRESSO E STF
Apesar da gravidade da atitude do presidente, o estímulo aoato que está sendo convocado por forças bolsonaristas para o dia 15 de marçopara tentar emparedar o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal parasubmeter estas instituições aos seus planos e tentar calar a imprensa críticaaos seus atos, me parece mais um ato dentro da estratégia dele de radicalizarcontra as instituições democráticas, incluindo as da sociedade civil como aimprensa e universidades, ação que o elegeu ao dar aparência que suacandidatura era anti-sistema. Bolsonaro e seus estrategistas usam bem ainsatisfação popular contra as mazelas e exageros do sistema político(corrupção, mordomias, cargos, carros, viagens etc). Ao atacar o Congresso e oSTF ele mantém sua turba com o ódio à flor da pele e a favor das suasmaluquices autoritárias. Foi assim como deputado e como candidato com seusataques machistas, homofóbicos e adoração à torturadores e milicianos. Foi numcrescendo e chegou onde chegou.


É evidente que essa estratégia visa também normalizar osatos fascistas. Ele tem os rompantes, depois recua e parte do povo acha que elefaz de brincadeira ou porque “diz o que pensa”, em jogo perigoso com o objetivode escamotear as reais intenções da famílicia, que é implantar um governo decriminosos tendo como base a milícia carioca.
Bolsonaro e filhos foram criados nesse ninho e formam obraço político desse esquema. A articulação nacional das milícias entranhadasnas PMs estaduais hoje é a maior ameaça ao estado brasileiro como foi visto noCeará e na eliminação do miliciano Adriano ocorrida na Bahia. Seu braçoeconômico visa a legalização das atividades de extorsão das milícias, amineração criminosa nas terras indígenas, a volta e legalização dos cassinos eoutros negócios.
A estratégia dos Bolsonaros visa também desviar a atençãodas consequências nefastas das medidas econômicas que seu governo vemrealizando através do ministro Paulo Guedes, como o aumento dos empregosinformais e precários e diminuição dos empregos com carteira assinada,diminuição das reservas cambiais, desvalorização do Real diante do dólar, fracocrescimento da economia e aumento da pobre e da miséria com o enfraquecimentodas políticas de proteção social.
A reação a esses arroubos e ameaças autoritários dosBolsonaros deveria partir primeiro das instituições democráticas, do próprioCongresso Nacional e STF. Mas, o que esperar daí, uma vez que parcelaimportante de seus membros articulou e mobilizou para dar o golpe em 2016,tendo Sergio Moro à época como o grande exemplo de “combate à corrupção” e às“coisas erradas”?
Não vamos nos iludir: as ditas forças progressistas noBrasil estão fracas. Não que não possam se reaglutinar e se fortalecer, pois amaioria da sociedade não quer ditadura e o fim da democracia. Mas precisamresistir e vencer a cooptação, a corrupção e os interesses rentistas exercidospelos extremistas do neoliberalismo que querem, o mais rápido possível,privatizar tudo que é estatal, desregulamentar todo o sistema legal e socialque ainda garante o mínimo de civilidade entre as classes sociais e tomar contapor completo das riquezas minerais e naturais do País.
Sim, há movimentos de resistência como os que fizeram ospetroleiros cuja greve foi suspensa para negociações, os atos das mulheres no 8de março e a greve geral convocada pelo povo da Educação e do funcionalismopúblico para o dia 18/03. Estes atos e movimentos precisam ser reforçados epotencializados. Há Lula animando o povo e dando o tom para a luta e há ospartidos políticos de esquerda a organizar a resistência democrática einstitucional contra o desmonte das políticas públicas e na defesa do EstadoDemocrático de Direito. Há também os protestos de todos os tipos como os vistosneste Carnaval.
Mas, é preciso uma reação maior, urgente, com todas asinstituições, personalidade e forças democráticas e progressistas em atos egestos que deem um basta nestes crimes contra o que resta da nossaConstituição, senão as ameaças de hoje se consolidarão num plano concreto devolta de uma nova ditadura, tão desejada pelos bolsonaros e seus fiéis elunáticos apoiadores.



Por: Simão Pedro.
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