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Porta de Cadeia (Por Leandro Fortes)

Porta de Cadeia (Por Leandro Fortes)

11/03/2020 10h32 Atualizada há 6 anos atrás
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Porta de Cadeia (Por Leandro Fortes)

Desde a incursão de SérgioMoro nas entranhas do condomínio Vivendas da Barra, para intimidar o porteiroque ligou Bolsonaro aos assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes,sabemos, todos, a que veio o ministro da Justiça e da Segurança Pública.

Sem a máscara do vingador daRepública de Curitiba, a caricata personagem criada pela mídia para defenestrarDilma Rousseff da Presidência da República e prender Luiz Inácio Lula da Silva,às vésperas das eleições de 2018, Moro desnudou-se nessa gelatina moral, aomesmo tempo triste e risível: o ministro de porta de cadeia.


Não bastasse a atuaçãodiuturna como advogado da família Bolsonaro, obrigado a compactuar com as tesesda milícia que gravita em torno da família presidencial, Moro, agora,comporta-se como um estagiário de direito escalado para infernizar osfuncionários do Ministério Público e da Justiça do Paraguai para libertarRonaldinho Gaúcho e Assis – uma dupla de pilantras internacionais.

O ministro do Interior doParaguai, Euclides Acevedo, tem dito a jornalistas paraguaios e brasileiros deseu constrangimento diário com o assédio de Sérgio Moro pela libertação dadupla, como se se tratasse de uma questão de segurança nacional. Juízes epromotores envolvidos no caso – falsificação de passaporte, lavagem de dinheiroe evasão cambial – também têm mostrado desconforto com a insistência de Moro emsoltar a dupla.

A chave para entender o súbitointeresse de Moro por Ronaldinho não é, claro, futebol. O ministro tem todapinta de entender tanto do esporte bretão quanto entende de direito penal. Aquestão central se chama Nelson Luiz Belotti dos Santos, picareta que circulapelo universo de Moro, desde o escândalo do Banestado, no início dos anos 2000,envolvido em fraudes cambiais, corrupção e pagamentos de propinas. Trata-se deum baronete da indústria da contravenção, dono de um cassino no Paraguai eanfitrião de Ronaldinho e Assis, naquele país.

Belotti tem ligações com odoleiro de estimação da Lava Jato, Alberto Youssef, epicentro da engrenagem dedelações premiadas que serviram para colocar petistas na cadeia, sem nenhumaprova concreta. Ele foi investigado pela patota de Curitiba após ser flagradocom 24 milhões de reais numa conta e ter repassado quase meio milhão de reaispara outra, vinculada a Youssef, para beneficiar o ex-senador José Janene, doPP, já falecido.

Ainda assim, Belotti jamaisfoi denunciado pela Lava Jato.

É um arquivo vivo, portanto,girando nas roletas da Justiça paraguaia, pronto para quebrar a banca.

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