Geral Cidadela

Cidadela (Por Leandro Fortes)

Cidadela (Por Leandro Fortes)

20/05/2020 07h05 Atualizada há 6 anos atrás
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Cidadela (Por Leandro Fortes)

Ninguém sabia, mas o Ministério da Saúde haveria de ser uminusitado ponto de resistência ao clima de sanatório geral da Esplanada, desdeposse de Jair Bolsonaro.
Nessa gestão de dementes, a pasta tornou-se a arenasolitária do embate entre a ciência e o obscurantismo mercantilista quepreconiza cloroquina à vontade, desde que a senzala pare com seus mimimiscontrários à primazia da economia. E olha que não foi por falta de esforço afavor das trevas.
Henrique Mandetta, estafeta do baixo clero da Câmara dosDeputados, à época do impeachment de Dilma Rousseff, era o ministro da ocupaçãoprivada, no setor. A pandemia, no entanto, lhe colocou no centro de umadiscussão ética muito cara aos médicos, mesmo aos piores deles: o zelo pelavida, como premissa do ofício.


Mandetta pulou a fogueira sem saber. Ao perceber a vantagem,mudou de atitude em relação ao SUS, o qual ele pretendia destruir, e agarrou-seao cavalo encilhado da sorte grande. Tornou-se de nulidade a herói sanitárionacional.
Nelson Teich também se rendeu à réstia de razão que lhesobrara à atividade mercantil do setor. Percebeu, a tempo, que negar a ciêncialhe reservaria o lugar do bufão de jaleco auxiliar de genocida. Não ficou ummês no cargo.
Não creio que Bolsonaro, mesmo com as limitações intelectuaisque tem, erre pela terceira vez. Osmar Terra, medievalista nos modos e bárbaronas intenções é, de novo, o preferido.
Em meio à pandemia, o País nunca teve a garantia de que oMinistério da Saúde seria um porto seguro. Resistir, até aqui, foi umasurpresa.
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