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“Festas de Corona” aconte todo fim de semana ao lado de Base dos Bombeiros e ninguém faz nada para parar

“Festas de Corona” aconte todo fim de semana ao lado de Base dos Bombeiros e ninguém faz nada para parar

01/06/2020 12h20 Atualizada há 6 anos atrás
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“Festas de Corona” aconte todo fim de semana ao lado de Base dos Bombeiros e ninguém faz nada para parar

Moradora do Bairro Grajaú no Rio deJaneiro, fez uma postagem em sua conta na rede social Facebook em que denuncia vinhospor perturbação da ordem. Ela afirma que há “Festas de Corona” e movimentaçãoem uma residência perto de sua casa que chegam a durar até três dias.

O maior absurdo, segundo TicyAzambuja, é que tudo acontece ao lado de uma base do Corpo de Bombeiros.

Leio o relato a seguir:

“Hoje vou falar sobre minha dor e doquão solitária ela é


Pensei muito antes de escrever. Estámuito difícil, mas eu preciso falar. Preciso desabafar. Gostaria que você medesse ouvidos. Se não, esse monstro vai continuar a me corroer por dentro.

Moro no Grajaú, Rio de Janeiro. Soumédica há 10 anos. Tenho um filho pequeno maravilhoso.
Na rua onde moro, existe uma casa,que fica ao lado do Corpo de Bombeiros. Nessa casa, fazem “Festas de Corona”todos os dias e todas as noites. Sim, durante o dia também. Som altíssimo,ensurdecedor, por 3 dias seguidos. Na terça-feira, de madrugada, os vizinhosgritavam para parar, chamamos a polícia diversas vezes. Mas para a nossa (faltade) surpresa, a polícia nunca veio. Os frequentadores da festa gritam “vãochupar uma bu... ou um ca...” Um baixo nível sem fim. Saem da casa para urinarnos postes da rua, espalham garrafas de cerveja por todos os cantos, não deixamninguém dormir.
Fazia 5 dias que eu dormia na sala.
A polícia e os bombeiros sempreacionados. Mas nunca vieram.

Jogaram tomates, tinta na porta dacasa, avisos desesperados da vizinhança pedindo que eles parassem. Muitaspostagens em redes sociais. O problema nem é a aglomeração... essa já é umaluta inglória e perdida. Era pelo fim da perturbação sonora.

No sábado, teria um plantão à noitee havia trabalhado no dia anterior todo. Na linha de frente do Covid. Trabalhopesado, exaustivo. Precisava dormir um pouco de tarde para assumir meu plantãonoturno.
E a festa continuava.

Decidi descer e acabar com aquilo.Tomar uma atitude qualquer. Eu, do alto dos meus 1,50m e 46kg, pedi para queparassem a festa (estava lotadíssima, claro que isso nunca aconteceria). Então,num ato de exaustão e desespero, quebrei o retrovisor e trinquei o pára-brisasde um dos carros parados irregularmente na calçada, de um dos frequentadores dafesta. Coisa que qualquer seguro de carro cobre.


Foi errado. Foi impensado. Foiestúpido. Mas sou humana e fiz uma besteira contra um bem material de outrapessoa. Não foi um ato contra nenhum outro ser humano, isso eu sou incapaz defazer.

5 marmanjos (me lembro de uns 5)saíram, e obviamente, bêbados e drogados, típicos “cidadãos de bem”, nãoestavam para conversa. Apavorada, vi o potencial da besteira que fiz e saícorrendo.
Me agarraram em frente ao HospitalItaliano. Me enforcaram até desmaiar. Me jogaram no chão e me chutaram. Quandoretornei à consciência, gritava por Socorro! Isso aconteceu no dia 30 de Maiopor volta de 17h, em plena luz do dia.

Os moradores do bairro passavam pormim, o segurança do hospital viu aquilo, as pessoas diminuíam a velocidade deseus veículos e só observavam. Eu pedia para que chamassem a polícia e alguémme ajudasse, por favor. Para que filmassem com um celular o que estavaacontecendo, uma ajuda pelo amor de Deus. Mas ninguém veio. Ninguém veio.Algumas senhorinhas passaram pela cena e falaram para me matar mesmo.

Quebraram meu joelho esquerdo episotearam minhas duas mãos.

Um deles mandou trazer o carro, edisse que ia dar sumiço de mim.
Tive certeza que ia morrer.

Me arrastaram pela rua até o Corpode Bombeiros, uma mulher, frequentadora da festa, arrancou chumaços do meucabelo.
Os bombeiros do batalhão da MarechalJofre vieram. Implorei por ajuda. Pedi para que garantissem minha integridadefísica até que a polícia chegasse e tudo fosse esclarecido. Eles riram de mim edisseram que meu lugar era apanhando no chão.

Eles são amigos do dono da casa.

Um vizinho veio apartar e disser queeles não poderiam mais bater em mim, e que a polícia deveria vir. Levou um socona boca.

A patrulha da polícia chegou. Logovieram mais duas. Descobri que o dono do carro (um mini cooper de mais de 100mil reais) também era policial. Ele me pediu 6.800 reais para que tudo ficassepor aquilo mesmo.

Durante semanas, pedimos para que a políciaviesse resolver a situação daquela casa. Bastou quebrar o vidro do carro de umpolicial para que 3 viaturas aparecessem.

Um casal de vizinhos, contou o quetinha acontecido. Um casal de anjos. Seguraram minha mão.

O dono do carro que pegou sua carteirade policial e esfregou no meu nariz (literalmente) e me exigiu 6.800 reais parame deixar em paz, decidiu não levar nada adiante.

O dono da casa e seus frequentadorese todos os agressores correram para dentro da casa e não consegui indiciarninguém. Parece que um dos donos também é policial.

Os bombeiros covardes que viram epermitiram toda a situação, repetiram que eu nunca tinha apanhado. Quandosouberam que eu era médica (não que isso tenha nenhuma relevância) algunsmudaram o discurso para o famoso “Não vi nada”.

Os policiais fizeram o registro comalguns moradores, com o dono do carro que abriu mão de qualquer reclamação, masnão conseguiram com os agressores ou o dono da casa. Que por sinal, voltarampara a casa e recomeçaram a festa. Sim. Esse é o escárnio.

Fui levada para o Rios D'Or pelocasal de vizinhos anjos que me ajudaram, e tive apoio psicológico já dentro dohospital.
Vou morar alguns dias com meu pai eminha madrasta. Tive que engessar uma mão, e a outra está com imobilizador, se não,nem uma muleta eu conseguiria usar. É difícil ter noção de como é ficar ser umaperna e as duas mãos ao mesmo tempo.

Estou muito chorosa, triste, e semfé na Humanidade. A impunidade vai reinar mais uma vez nesse caso. Mas o quemais me doeu, foi ter clamado por ajuda, e dezenas, talvez uma centena depessoas viram o que aconteceu e 3, somente 3 se dignificaram a socorrer umapessoa em perigo. Sempre fui atuante na comunidade do Grajaú, e quando preciseide socorro, fui abandonada aos chutes e gritos de “Mata mesmo!”.

O que me dói mais não é o grito dosmaus, é o silêncio dos bons.

Se as festas acabarem na casa damarechal jofre, lembrem-se que custou meu trabalho de médica e meu joelho.

Eu sempre tive um pensamento mágicoque, se eu fizer o Bem, o Bem voltará para mim. Mas isso não é verdade. Quantomais bondoso, e mais envolvido, mais você fica em destaque e mais a Maldade teatinge.

É possível que eu tenha que operarmeu joelho. Está tão machucado que na tomografia não deu para ter certeza. Masparece ter rompido o ligamento cruzado posterior. Vou ter que fazer umaressonância magnética e meu plano não cobre (estou em período de carência). Vouficar algum tempo sem trabalhar. Ninguém vai pagar por isso.

Estou muito machucada fisica,psicologica e espiritualmente.
Espero voltar a trabalhar logo comomédica, nasci para isso, é o que sei fazer.
Mas a cada tramal e dipirona que eutomo para me mexer sem dor, me lembro que perdi a fé na Humanidade.

Pensei muito se deveria contar o queaconteceu, estou com muito medo de represália. Os fortões venceram mais umavez, mas ainda não conseguiram calar minha Voz. Enquanto ainda não vivemos numestado-policial, vou continuar falando. Preciso continuar denunciando asinjustiças.
E deixo no fim desserelato-desabafo: se algo acontecer comigo, que todos saibam quem fez! Que nãocontinue impune.

Pisotearam minha garganta, mas nãocalaram minha voz!”
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