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Carta ao futuro revela os nossos erros

Carta ao futuro revela os nossos erros

14/08/2020 14h12 Atualizada há 6 anos atrás
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 Carta ao futuro revela os nossos erros


Nãoé de hoje que a humanidade busca a tecnologia que os leve ao futuro. Aimaginação dos roteiristas de cinema já produziram obras que marcaram épocas,como a “máquina do tempo” já no ano de 1960 com o ator Rod Taylor. E teve a suaversão no futuro com Orlando Jones em 2002. 

Tambémtivemos o filme que nos fez ir além do futuro, retornando ao passado em uma desuas versões com Michael J. Fox e Christopher Lloyd. 

Ou,quando ficamos sabendo que grupos de pessoas em algum lugar desse mundo velhode Deus criaram cápsulas do tempo. Eles tiveram a ideia de colocar em algumrecipiente informações e objetos para que fossem encontrados e abertos poroutras dezenas, centenas de anos depois. 

Tudoisso faz a imaginação de qualquer um ir aos limites do impossível. Mas a BandaDetonautas Roque Club inovou no recado com sua Carta ao Futuro. Já nosprimeiros versos a voz de Tico Santa Cruz dá o recado, “Hoje eu acordei com ovento explodindo na minha janela”. E mesmo tendo sido gravada anterior ao queocorreu em beirute no Líbano, não tem como não ver as imagens enquanto o somrola alto. E fechando a primeira estrofe, “nessa sua isenção que é o abrigo dosomissos”, o recado está dado de forma direta, sem arrudeios, que é para lembrarque o silêncio é o pior dos cenários atuais da sociedade. 

“Láfora os homens seguem se matando. Uns por dinheiro outros por um pedaço de pão.Afinidades entre a cruz que mata em nome de Deus, e a espada que estraçalha oamor na mão dos irmãos.” Chega com imagens que lembram os belos clipes do PinkFloyd. E mesmo que eu discorde da imagem que lembra a Igreja Católica, e quedeveria ser de algum dos vendedores da fé, não há retoque a ser feito. Oartista é livre para criar. 

Abatida da caixa eletrônica não tirou a força do Rock in Roll de protesto deprimeira qualidade, com objetivo assertivo, sabendo o que quer atingir. Mandouo recado sem ser agressivo, e Tico soube colocar em cada frase o tom certo parao imaginário coletivo. “Cês são Joaquim Silvério dos Reis. Nós somosTiradentes”, logo após citar que, “esconde a mão manchada do sangue do corpodos inocentes”, é um tapa na cara daqueles que preferiram jogar o Brasil nocaos e o entregar, como mostra a imagem no quadro, ao que há de pior napolítica do país. 

“Ouvium grito vindo lá do beco escuro. De uma criança sem pai perdida e sem futuro.Seus olhos lacrimejavam o desespero de alguém. Que sabe que será abatido,invisível e nada além”, é a favela cuspida, escarrada e desenhada para queninguém tenha dúvidas do que o Detonautas está dizendo. 

Epara quem como eu, vê as postagens do Tico, reconhece nos versos, “se soucanção sem refrão que fica na cabeça. Não interessa eu sigo firme e forte,tenho pressa”, suas angustias no dia a dia, sem frescura, escrevendo o quesente, isolado sem poder estar no palco, com seus amigos, militando em eventosque ele descobriu ser importante participar para denunciar o que ocorre noBrasil. 

Ecomo um dia após o outro na atual circunstância em que vivemos de pandemiafossem todos iguais, “amanheceu o novo dia e tudo é sempre igual. Um loopeterno de notícias tristes no jornal. Mentiras e verdades que confundem ocidadão de bem. Eu sei quem é quem, eu sei quem é quem”. E sabe mesmo. Tantoque no celular da imagem no clip, aparece a palavra “gadolino”. Se foi direto?Só quem tem queixada pode sentir a pancada. 

Epor falar em “Gado”. Durante todo o lindo clip as referências as pessoas queforam as ruas exibindo camisas da seleção brasileira são mostradas como zumbisque atacam crianças, espancam e destroem coisas antes belas. 

Eo rock do Tico e Detonautas, como se diz aqui no interior da Bahia, “bate comose bate o feijão de Irecê”, que é para saber que só a dor pode tirar essa turmado transe em que se encontra. “Como um inseto pestilento em reprodução. Fatia obolo entre a família sem preocupação”. Rachadinhas, kopenhagen, apartamentocomprados a vista, milícia. São tantas as possibilidades de imagens que nãocaberia no clip, mas que dá o recado. 

Ecomo diz a letra da música, “e pra encerrar, a minha carta não é um lamento. Éum aviso ao futuro de um novo tempo. A corte cairá, não sobrará ninguém. Otempo ruim vai passar do pai do filho. Ao Espírito Santo amém”, há um futuro anos esperar, ou a ser descoberto. E que historiadores, assim como o Detonautas,não tenham medo de contar tim-tim por tim-tim, tudo que estamos passando nesteano, que se não fossem as escrituras, eu já poderia dizer que é “fim é demundo”. 

Ea carta ao futuro de Tico, mostra o presente a quem ainda tem intenção de oquerer mudar. A história registrará tudo, mas nós podemos mudar a atualsituação em que nos encontramos. Não bastam notas de repudio, indignaçãoseletiva, reclamar todos os dias de que está tudo errado. É preciso agir, mudaro lugar comum. O Detonautas saiu do seu casulo e mostrou, através da música,que cada um de nós precisa fazer algo. Então, que usemos aquilo que melhorsabemos fazer e vamos à luta. Há esperança para mudar o futuro e o entregarmelhor aos nossos filhos e netos. 

Secada Beija-flor fizer a sua parte, esse incêndio de mediocridade será apagado. Nósnão podemos mais errar.

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