Republicanos recua, PL perde fôlego e o filho do ex-presidente tenta sobreviver politicamente em meio ao isolamento.
Em Brasília, nesta quinta-feira (31), o senador Flávio Bolsonaro viveu um dos dias mais tensos desde que assumiu protagonismo na articulação da direita. O Republicanos, partido que vinha sendo apontado como aliado estratégico do PL, decidiu recuar das negociações para formar uma frente conservadora nas eleições de 2026. A decisão, confirmada por dirigentes da legenda, deixou o filho do ex-presidente isolado e sem apoio sólido para sustentar seu projeto político. O movimento ocorre num momento em que o PL enfrenta desgaste interno e perda de lideranças regionais, especialmente após divergências sobre o rumo da campanha nacional.
Nos bastidores, o recuo do Republicanos foi interpretado como sinal de que o bolsonarismo perdeu capacidade de articulação. Flávio, que vinha tentando costurar alianças com partidos menores, viu as conversas esfriar diante da resistência de dirigentes que preferem manter distância de disputas judiciais e da imagem polarizada do grupo. A estratégia de reconstruir a base conservadora, segundo interlocutores, esbarrou em falta de consenso e na percepção de que o eleitorado de direita está fragmentado. O senador, por sua vez, tenta minimizar o impacto e afirma que o diálogo continua aberto, embora reconheça que o cenário é “mais difícil do que o esperado”.
A perda de força do PL também preocupa aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que observam o avanço de outras siglas na disputa por espaço no Congresso. A legenda, que chegou a ser a maior bancada da Câmara, enfrenta deserções e disputas internas por comando regional. Analistas políticos avaliam que o isolamento de Flávio pode comprometer a capacidade de mobilização da direita nas próximas eleições, abrindo caminho para o fortalecimento de partidos de centro e da base governista.
Os próximos passos ainda são incertos. Flávio tenta reorganizar o grupo e busca novos aliados entre parlamentares independentes, enquanto o Republicanos sinaliza que pode apoiar candidaturas locais sem vínculo direto com o bolsonarismo. O episódio expõe o desgaste de um projeto político que, há poucos anos, parecia imbatível. Agora, o filho do ex-presidente precisa provar que ainda tem fôlego para permanecer no jogo, mesmo sem o time completo.
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