Economia Brasil

Taxa das blusinhas é o imposto que morreu antes de nascer

Com o recuo, o Planalto tenta reduzir o desgaste político e abrir espaço para novas negociações

12/08/2026 07h35
Por: Redação Fonte: Dimas Roque
Imagem da internet
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Governo recua após pressão popular e encerra polêmica sobre cobrança em compras internacionais de pequeno valor.

O governo federal anunciou nesta terça-feira (12), em Brasília, o fim da chamada “taxa das blusinhas”, que previa a cobrança de imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares. A medida, defendida inicialmente pelo Ministério da Fazenda como forma de equilibrar a concorrência com o comércio nacional, foi retirada após forte reação de consumidores, parlamentares e entidades do setor. O recuo foi confirmado pelo ministro Fernando Haddad, que admitiu que a proposta não encontrou apoio suficiente no Congresso e gerava desgaste político para o Palácio do Planalto.

A polêmica ganhou força nas últimas semanas, quando plataformas como SheinShopee e AliExpress se tornaram alvo de debates acalorados sobre tributação e impacto no varejo brasileiro. De um lado, empresários nacionais alegavam concorrência desleal e perda de arrecadação; de outro, consumidores denunciavam que a taxa atingiria diretamente famílias de baixa renda, que recorrem a compras internacionais pela diferença de preço. A pressão popular se refletiu em manifestações nas redes sociais e em discursos inflamados no plenário da Câmara, obrigando o governo a rever sua estratégia.

Com o recuo, o Planalto tenta reduzir o desgaste político e abrir espaço para novas negociações sobre a reforma tributária, considerada prioridade para o segundo semestre. Especialistas avaliam que a decisão pode fortalecer a imagem do governo junto ao eleitorado popular, mas também expõe fragilidade na articulação com o Congresso. Agora, o desafio será encontrar alternativas para equilibrar a arrecadação sem penalizar o consumidor, em um cenário de inflação ainda pressionada e eleições municipais no horizonte.

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