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São João + 20 (Deputado Amauri Teixeira)

São João + 20 (Deputado Amauri Teixeira)

26/06/2012 08h23 Atualizada há 14 anos atrás
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Semnecessidade de inventar a roda, o São João de 2012, pode virar um marco nahistória cultural dos 250 municípios baianos que já decretaram situação deemergência por conta dos efeitos da seca. É a oportunidade de notabilizar otriângulo, a zabumba e a sanfona. Incentivar a formação e promoção de grupos deforró pé-de-serra. Ou seja: produzir cultura local para pessoas que estão vindode toda parte do país. Porque, o verdadeiro motivo de todos viajarem tantosquilômetros até o interior da Bahia está contido exatamente no que há de maispuro e original no São João: a vida do sertanejo.

Quem"desce" para Jacobina, Juazeiro, Jaguarari, Senhor do Bonfim, NovaFátima, Cruz das Almas, Miguel Calmon, Piritiba, Uibaí, Irecê, entre outrostantos municípios, não viaja para dançar música eletrônica na boate exclusivado camarote andante, nem para comer e beber os coquetéis e pratos mais exóticosda última estação da moda. Nada contra nenhuma dessas "mudernidades",mas, cada qual no seu cada qual. A expectativa de quem visita esses municípiosé encontrar um "xodó", "o verde dos teus olhos", após"ralar coxa", arrastar o pé com o “Xote das Meninas”, adoçando a bocacom licor de jenipapo e enchendo o buxo com macaxeira, aluá e pamonha.

Coma redução do orçamento das festas - provocado pelo mais extenso período de secados últimos 50 anos - o São João de 2012 impõe ao mercado da música sertanejauma reflexão sobre o inflacionamento dos cachês, gerado pela supervalorizaçãode atrações de fora do próprio circuito junino. A disputa para encaixar nocalendário local as "grandes estrelas nacionais", estimulou ao longodos anos uma espécie de guerra fiscal entre os municípios, sufocando osarranjos culturais e econômicos regionais em prol de uma demanda externa semqualquer compromisso com o contexto sócio-político de cada lugar.

Éclaro que pela própria dimensão geográfica da festa, presente nos 417municípios da Bahia, o São João apresenta uma vocação natural de solidariedadecom os demais gêneros artísticos. Mas, o caráter predatório utilizado poragências de eventos para vender o cachê dos seus artistas às prefeiturasbaianas, exige do gestor público uma reação firme contra os abusos cometidospor essas empresas com - é claro - o consentimento dos artistas.

Infelizmente,raríssimas ou nenhuma iniciativa espontânea ou promocional, sinalizou qualquergesto da classe artística do ramo da música em solidariedade ao difícil momentoque vive o povo sertanejo. Pouquíssimos ou nenhum artista doou o seu cachê oucantarolou uma única canção sem ter tido o seu dinheiro devidamente depositadopela prefeitura na sua conta.

Poressas e outras, nada mais justo que aumentar a grade de programação das nossasfestas com atrações locais, a exemplo de forrozeiros tradicionais, comoAdemário Coelho, Targino Gondim e novas formações que assisti em Irecê,recentemente, como a Banda Nordeste, Jurandi Alves, Léo Silva, Forró Furado,Kravo e Kanela, Cristiano Neves, Dourado Coração Sertanejo e a atraçãoprincipal, Waldonys do Acordeon. Com grupos e bandas compostos por homens emulheres da terra, que aguardam o mandacaru aflorar na seca e apontar a chuvaque chega no sertão. Em meio as discussões da Conferência das Nações Unidassobre Desenvolvimento Sustentável, nada mais atual.

AmauriTeixeira é deputado federal pelo PT e economista. 
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