Quando o poeta e cantor Cazuza afirmou em uma de suasmúsicas precisava ter uma “ideologia” para viver, ele na verdade dizia que paraele a dita cuja já não existia mais. Estava desolado com seus ídolos, aspessoas em quem teria acreditado um dia. Fosse à música, nas artes ou napolítica, que é o nosso assunto aqui.
Infelizmente nos dias de hoje nós dificilmenteconseguimos encontrar jovens participando da vida política do país. As exceçõessão durante o período eleitoral, quando contagiados pelo clima de disputa, elesvão às ruas defendendo um nome, muito mais do que a um partido ou umaideologia. E muita das vezes ate desconhecem o termo.
Ontem na Câmara Federal, para quem como eu também viupela Televisão, aconteceu uma cessão que mostrou a verdadeira cara dainstituição na atualidade. Desde as primeiras horas da manhã que o movimentoera a busca pela aprovação da chamada Lei dos Portos. Uma medida provisóriaeditada pela presidenta que, segundo as informações do governo ira beneficiar oBrasil na área portuária. Seria a entrada de dinheiro de empresas na construçãode novos portos a serem administrados por empresas.
E o que teria de errado nessa proposição?
Para o governo nada. Mas para a oposição, tudo. Istomesmo. Os partidos que não estão mamando nas tetas da viúva se colocaramcontrários ao projeto. E para atrapalhar a aprovação do mesmo valia tudo, desdeapresentar emendas que posteriormente seriam retiradas, tudo isto para ganhartempo e ver a lei não ser aprovada por, imaginem só, falta de tempo. Nestequesito algo me chamou bastante a atenção. O DEM, que antes foi ARENA, PDS ePFL, cuidando de atrapalhar tudo, apresentou uma emenda e discutiuexaustivamente a mesma, enquanto o Partido dos Trabalhadores se colocoucontrario durante o processo de tramitação da lei. Pois bem, ontem o PTdescobriu talvez iluminado por alguém, que o que antes era contra, agoraserviria aos propósitos do governo. Ai, os democratas acharam tudo estranho.Porque se o governo agora aprova é porque deveriam ser contra. E eles entãoretiraram a proposição. O governo sabendo que a retirada prejudicaria atramitação do projeto e poderia inviabilizar sua aprovação, reapresenta aemenda agora através do deputado Sibá Machado, do PT. Pronto, estava declaradaa guerra de palavras. O governo agora aceitava a proposta, mas o DEM com seusaliados se colocaram contra. E isto durou horas, ate que na queda de braço, ogoverno levou a melhor.
Conversando com um amigo ainda ontem, 15, eu não tive alternativaa não ser afirmar que um brega, um cabaré, um puteiro tinha mais organizaçãoque a casa legislativa. E olha que eu apanho bastante ao defender que é napolítica que devemos buscar as melhorias para a nossa população mais carente.Mas vocês ai em Brasília tem que ajudar. Basta de tanta desmoralização daclasse.