A Audiência Pública de Conciliação, dirigida pelo bacharel Rodrigo Pinto Santos Pereira, iniciou em clima tenso e transcorreu na paz. O Conciliador começou avisando que se ocorressem manifestações do público, ele poderia esvaziar o recinto. O querelante, Pastor Átila Brandão, falou primeiro. Exigiu uma retratação incondicional por “mentiras e calúnias” publicadas no jornal A Tarde. Jactou-se que por liminar vai exercer seu direito de resposta no jornal A tarde. Tentou explorar o fato do jornalista, que há 40 anos reside e trabalha em Salvador, ter vindo de fora explorando a cordialidade dos baianos. Disse que Emiliano se escondia atrás do jornalismo, mas admitiu que participou da repressão na ditadura “obedecendo ordens”. Ele negou a pecha de torturador.
O jornalista Emiliano José argumentou que torturadores são covardes. Lembrou que foi preso na Bahia, torturado pelos oficiais do Exército Gildo Ribeiro e Hemetério Chaves, condenado a quatro anos de prisão e não se sentia intimidado pelo pastor Átila Brandão. Ele disse que está empenhado em revelar quem, na ditadura, matou, torturou seqüestrou pessoas e só havia uma possibilidade de retratação, com a retirada incondicional da queixa-crime “um atentado à liberdade de imprensa e expressão” segundo os protestos do Sinjorba, ABI, APUB, Faculdade de Comunicação (Facom) deputados estaduais Luiza Maia, Marcelino Galo, Rosemberg Pinto e Geraldo Simões, na Câmara Federal.
À Audiência de Conciliação, além de amigos e militantes, compareceram o ex-governador Waldir Pires, o deputado Marcelino Galo, presidente da Comissão da Verdade da Assembléia Legislativa, Joviniano Neto e Diva Santana pelo Grupo Tortura Nunca Mais, Marjorie Moura, presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia. Estudantes com camisas do Levante Popular pregaram cartazes nas vizinhanças: Átila Brandão torturador. A titular do Juizado Criminal Especial Regina Maria Couto Cerqueira deverá em seguida marcar nova audiência.