As poesias recitadas são lindas e merecem ser ouvidas portodos. Talvez nos ajude na compreensão de nossa sociedade atual. Na forma comque deixamos de perceber os que moram a margem da sociedade que tem onde comere dormir bem. Em alguns momentos o filme se torna documentário de tantoimprovisos realizados pelos atores. Ao final me deu a impressão de que odiretor Cláudio Assis fez uma oficina de atores. Juntou um monte de jovens ávidosem aprender a arte de atuar e fez deles o que bem entendia.
O filme tem atores consagrados nacionalmente e que dispensaqualquer elogio. É o caso de Matheus Nachtergaele, Maria Gladys e Ângela Leal.Assim como todos os outros, estes fazem uma boa interpretação. Mas para ai. Retiradaas histórias do poeta e do seu amor pela personagem Eneida, vivida por NandaCosta, nada mais sobra a não ser a pura pornografia que, se realizada para opúblico que visita as salas reservadas das locadoras, deve ser visto por todoseles. O filme se perde na apologia as drogas e mostra a cidade do Recife em Pernambucocomo a Meca do consumo na atualidade. Claro que do ponto de vista de quem morana periferia, onde o jornal a Febre do Rato é produzido e distribuído.
Na cena em que os personagens Zizo, após o desfile de setede setembro sobe em seu carro e recita poesias, ao ver Eneida ele começa a lerum texto escrito em seu próprio corpo para ela. Neste momento o ator começa aretirar a roupa e a atriz sobe no automóvel. Os dois vão se despindo totalmenteate que, pelados, se abraçam. Mas não me fugiu dos meus olhos o rosto da atriz,que por um instante, como que se dirigindo ao diretor ou a alguém fora doenquadramento dá com os ombros perguntando se é para continuar. Neste momento odiretor se vale da interpretação livre e libera geral. A oficina está completa eo filme acaba!