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O caçador de raposas. (Heitor Scalambrini Costa)

O caçador de raposas. (Heitor Scalambrini Costa)

04/11/2013 11h20 Atualizada há 13 anos atrás
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No século passado, tivemos um jovem e esportivocandidato a presidente da República que ficou conhecido como “o caçador de marajás”, e que logo depois de eleito acabou sendodefenestrado do trono presidencial, pois o próprio, junto com seu ex-tesoureiroda campanha eleitoral, estavam enriquecendo(mais ainda) às custas das maracutaiaspromovidas de dentro do Palácio da Alvorada, com ramificações na Casa da Dinda.
 Agora, passado 20anos, surge o “caçador de raposas”. Discurso empregado pelo presidenciávele governador de Pernambuco para se referir à necessidade de “aposentar asraposas da política brasileira”. Entenda-se aqui como “raposas” os políticosprofissionais, quase eternos, aqueles que, como diz o governador,contribuem para uma política “mofada, cansada e atrasada”. Para os marqueteirosdo presidenciável pernambucano, o objetivo éde apresentá-lo como o “novo”, aquele que vempara fazer uma “nova política”. Assim, épreciso construir uma imagem positiva e criar, junto à opinião publica,a figura de um político dinâmico, bom administrador, gestor público competente,diferenciado-o das velhas praticas políticas e dos políticos de carreira desgastadosjunto à população.
Essa estratégia já deu certo uma vez, e por que nãoagora, que a desilusão tomou conta doseleitores que foram as ruas protestar? O partido no poder há 11 anos já não atende aos reclamos  e demandas da população, que exige mudanças. Prometeu “mundos e fundos” e acabou no lugar comum da corrupção, dosacordos políticos inexplicáveis, da velhapratica de “fazer política no país”, simbolizada pela máxima“é dando que se recebe".
Sem duvidaquem acompanha a trajetória do jovem governador, mas já idoso nos caminhossinuosos da política brasileira, conhece muitobem sua obsessão em conquistar e exercer o poder, não levando em consideraçãoos meios para chegar lá.
EmPernambuco, os exemplos da conduta e da pratica política deste jovem-velhopolítico são inúmeros. O nepotismo reinante no Estado com parentes distribuídosem cargos públicos, que teve seu ápice noenvolvimento direto do governador na eleição da própria mãe a um cargo vitalício noTribunal de Contas da União. Os acordos “toma lá, dá cá” com os prefeitos edeputados estaduais, o que o tornou praticamente um governante sem oposição.Simbolicamente, essapratica ficou evidente quando patrocinou a mudança na Constituição Estadual,para que um seu aliado político fosse reconduzido àPresidência da Assembleia Legislativa pelaquarta vez (talvez seja conduzido novamente aum quinto mandato, como o próprio afirmou só depende dogovernador querer). Sem falar no chamado “desenvolvimento predatório” que tempatrocinado seu governo.
O que sedesvenda dessa obsessão pelo poder do jovem eesperto governador é que ele age muito mais como amigo das raposas, de que como predador. Basta ver seus acordos e aliançasespúrias pelo Brasil afora, nada programáticas,formando o bloco dos econeoliberais socialistas, voltados a um único objetivo: ascender ao poder de presidente da República. Eainda diz o que todos querem ouvir, que énecessária mudança profunda do sistema político. Só acredita que não o conhece.

O importante nessa estória toda é não esquecer do passado recentedo jovem-velho eficar atento, pois a caça pode ser você.
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco.
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