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Em defesa do IPCC.

Em defesa do IPCC.

09/04/2014 16h06 Atualizada há 12 anos atrás
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Em defesa do IPCC.
O IPCC é um órgão composto por delegações de 130 governospara prover avaliações regulares sobre a mudança climática global. Sua criaçãose deu devido à percepção de que a ação humana poderia estar exercendo umaforte influência sobre o clima do planeta, sobretudo através da emissão de gases– como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4), quecausam o efeito estufa. Desde então, o IPCC tem publicado diversos documentos epareceres técnicos.
Sem duvida, é um órgão que sofre pressões políticas –ingenuidade seria pensar o contrário. A pressão é mais percebida nos textosdestinados aos formuladores de políticas públicas, enviados pelos países quesão os maiores poluidores do planeta, e que detêm maior poderioeconômico-militar. Todavia o IPCC procura manter o seu perfil científico.
Como não existe infalibilidade nas ciências, em particularem um tema de tal complexidade científica, como a da interpretação dosfenômenos climáticos e sua correlação causa-efeito, algumas das previsões maisalarmistas do IPCC, no passado, contribuíram para certo desgaste de suareputação e prestígio. Como foi o caso das previsões, em 2007, dodesaparecimento das geleiras do Himalaia. O IPCC aprendeu e, por sua vez, passoua adotar critérios mais exigentes para as asserções e previsões incluídas emseus relatórios e pareceres.
Lamentavelmente uma minoria (minoria mesmo) de técnicos,cientistas, políticos, com interesses escusos, tenta enxovalhar o trabalho doIPCC. Assim, causando danos não apenas ao IPCC, mas aos moradores do planetaTerra, visto que as questões levantadas (cientificamente duvidosas) acabampostergando as medidas de políticas públicas que precisam ser adotadas comurgência pelos governantes. O que pode ser um erro fatal para o planeta – errocausado por esses que maculam o trabalho do IPCC.
Na historia recente da humanidade, temos exemplos de gravesdanos à vida humana causados pela intervenção de ditos “cientistas”. O exemplomais contundente foi a “polêmica” provocada na segunda metade do século passadocom relação ao cigarro provocar ou não o câncer. Dúvidas “plantadas” porlobbies poderosos (através desses “cientistas”) sobre a relação de causa-efeitoatrasaram a tomada de medidas concretas contra o cigarro – medidas que poderiamter evitado a morte de milhões de pessoas em todo o mundo.
Por outro lado, exemplos mostram que podemos tomar decisõescoletivas para preservar o planeta. O Protocolo de Montreal é um bom exemplo.Este tratado mundial, assinado em 1987, levou ao banimento dosclorofluorcarbonos (usados então nos compressores de geladeiras residenciais emtodo o mundo), que reduzem a camada de ozônio e agravam para os seres humanosas consequências das radiações ultravioletas, causa principal do câncer depele. O tratado também impediu uma maior concentração de poluentes na atmosferae mudanças climáticas ainda mais graves.
Não se pode desmerecer o papel do IPCC e a repercussão desuas conclusões, as quais definitivamente colocaram a discussão da mudançaclimática entre as grandes questões mundiais e um dos principais temas daagenda política em diversos países.

A polêmica e a crítica são boas e necessárias. O que deveser repudiado são as tentativas de desqualificar esse órgão de fundamentalimportância para a compreensão das mudanças no clima e para a tomada dedecisões urgentes que assegurem que a vida continue no planeta como aconhecemos... Pois assim queremos que continue!
Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco.
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