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DECLARAÇÃO ANTECIPADA DE VOTO. (Luiz Eduardo Costa - Jornalista)

DECLARAÇÃO ANTECIPADA DE VOTO. (Luiz Eduardo Costa - Jornalista)

19/10/2014 11h03 Atualizada há 12 anos atrás
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DECLARAÇÃO ANTECIPADA DE VOTO. (Luiz Eduardo Costa - Jornalista)
Vamosaos motivos do voto.
Em1955 concluindo o curso ginasial no Atheneu fui, motivado por meu pai,Paulo Costa, assistir uma palestra que o governador de Minas Gerais Juscelino Kubitscheck faziano recém inaugurado auditório anexo ao colégio. Ele queria ser candidato apresidente e precisava conquistar, primeiro, o apoio dos partidospolíticos, principalmente o seu, o PSD. Saí fascinado com aquele político quedesenhava o seu projeto para transformar o Brasil, país naquela época comcerca de 50 milhões de habitantes, despovoado na maioria da sua extensão, sem estradas, quasesem indústria, dependendo das exportações do café para equilibrar adeficitária balança de pagamentos. A esse Brasil rural, Juscelino prometiauma revolução: Iria fazê-lo crescer 50 anos em 5, o período naquele tempodo mandato presidencial. E ele detalhava com entusiasmo e clareza tudo o quedeveria ser feito.
Nodia da eleição, aos 14 anos, sem poder votar, sai fazendo boca de urna, umtanto desajeitado a pedir votos para aquele mineiro. Juscelino foi eleitocom pouco mais de um terço dos votos computados. Isso foi o pretexto para quegolpistas civis e militares se insurgissem contra o resultado do pleito,alegando que não estava representada a maioria da nação, e o vencedor nãoteria legitimidade. Mas as regras eram aquelas, não havia segundo turno,Juscelino estava inquestionavelmente eleito.  Carlos Lacerda, o maisestrídulo líder do golpismo, dissera: ¨Juscelino não pode ser candidato, secandidato não pode ser eleito, se eleito não poderá tomar posse, se empossadoterá de ser deposto¨.
Defato, para que JK fosse empossado foi preciso um providencial generallegalista, Teixeira Lott, colocando os tanques na rua para garantir a posse doeleito. Foi, pelo que se sabe, o único golpe ¨constitucionalista¨ ocorridono Brasil.
Duranteo governo, Juscelino teria de enfrentar duas mazorcas promovidas poroficiais da Aeronáutica que se definiam como patriotas e idealistas indignadoscom a corrupção.
JK,ao som da bossa-nova, ao cabo de cinco anos retirou o Brasil do marasmo e crioua mística do desenvolvimentismo.
 O candidatoà sua sucessão foi o general que lhe dera suporte militar para que pudesseiniciar e concluir o seu criativo e transformador mandato, seu Ministro daGuerra Henrique Duffles Batista Teixeira Lott, um oficial que insistia emmanter a caserna longe da política partidária e que aceitou quase constrangidoa candidatura. Era um homem moralmente inatacável. Seu opositor foi Jânio daSilva Quadros, político histriônico, excelente orador, que ganhara a fama debom administrador e de inimigo da corrupção. Contra Juscelino, sem poderemdesfazer a sua excepcional obra administrativa, lhe puseram a pecha decorrupto.  Os que haviam denunciado o ¨mar de lama¨   noPalácio do Catete e levaram Getúlio Vargas ao suicídio, depois detemporariamente derrotados, reorganizaram-se, e logo transformaram Jânio nocavaleiro andante da cruzada moralista que ganhou espaço na grande imprensa. Jornaiscomo O Globo, e o Estado de S. Paulo, ajudavam a aumentar a histeriamoralisteira, enquanto Jânio exibia uma vassoura que se transformou em símboloda sua campanha, e surgiu a musiquinha entoada em todo o país:
                              Varrevarre vassourinha
                              Varrevarre a bandalheira
                              Opovo está cansado, de sofrer dessa maneira
                              JânioQuadros é a esperança de um povo abandonado.
                              JânioQuadros é a certeza de um país moralizado.
Jânioeleito presidente continuou afundado nas garrafas de uísque, e renunciou setemeses depois denunciando a pressão de forças ocultas. O Brasil escapou de umaguerra civil quase desencadeada pela irresponsabilidade do moralista homem davassoura.  Trinta anos depois, quando Jânio faleceu, numadisputa  dos herdeiros pelo espólio, revelou-se que ele tinhauma vistosa conta secreta na Suíça.
Umaobservação: O jornal O Globo criou em 1960 a expressão O Homem da Vassoura, paraassociá-la à idéia de limpeza moral que faria Jânio, mais recentemente, aRede Globo transformava Collor no ¨caçador de marajás¨.
Outraobservação: Juscelino morreu sem deixar grande patrimônio e o seu maisacérrimo critico, Carlos Lacerda, sobre ele escreveu um artigo que lhe valeriacomo o mais justo dos epitáfios.
Ahistória se repete, e agora assistimos a uma nova cruzada moralista lideradapor um jovem e trêfego candidato,  que recebe na sua campanha osuporte ostensivo da grande mídia, da qual fazem parte, entre outros inúmeros veículos,o maior império de chantagem já montado no Brasil: a Rede Globo  dosbilionários irmãos Marinho; o Estadão, trincheira decadente da soberbaquatrocentona da família Mesquita; da Veja, braço da máfia e de todos osinteresses escusos e antibrasileiros; somando-se agora ao palanque midiático apublicação inglesa The Economist,   que exalta as virtudes deAécio, hoje o menino de ouro  do cassino financeiro globalizado, comos tentáculos prontos para agirem com mais liberdade no Brasil.
Aidade que tenho permitiu-me transitar como espectador minimamente atento aosepisódios  da política brasileira, desde a libido insaciada dasmulheres com terços nas mãos a pedir a vitória do Brigadeiro Eduardo Gomes, umextremado moralista, depois, as mesmas mulheres ainda talvez mal amadas, queouviam Carlos Lacerda em êxtase quase orgástico quando ele denunciavacorruptos, em seguida, homens e mulheres retirando anéis , pulseiras e colarespara doá-los, respondendo ao apelo da campanha Ouro para o Bem do Brasil,quando civis e militares, também ¨moralistas ¨,  deram o golpe de 64,e era preciso criar a idéia de que o Bem do Brasil chegaria impulsionado pelasbaionetas.
Omoralismo salvacionista percorreu, sem nenhum sucesso, todas as etapas dahistória política brasileira, e por fim, a farsa sempre acabou sendorevelada.  Assistí  todas as manifestações desses espasmosmoralistas, para ter ,quando eles reincidem como agora, uma visão que não chegaa ser cínica, mas é de absoluto desprezo aos moralizadores de ocasião.
Seo candidato Aécio resolvesse espanar o pó, o pó dos arquivos do seu avôTancredo Neves, iria constatar que o experiente mestre da grande política,jamais se deixou envolver por essas cruzadas de moralismo, mas, sempre sebateu pela democracia, pelas liberdades, pela participação popular, um conjuntode coisas que, quando conquistadas, começam efetivamente a sanear a sociedade,a moralizar o Estado e as suas instituições. Com essas armas combate-se commuito mais eficácia do que esses surtos de moralismo eleitoreiro, delitosassim, como os que foram praticados pela quadrilha da Petrobrás, que está emparte na cadeia, e o resto dela somente tomará o mesmo rumo se   osinstrumentos da democracia forem fortalecidos com a participação popular.
Arevolução de 30 não conseguiu sepultar a farsa do liberalismo excludente,uma forma de exaltar a liberdade, todavia relativa, acessível aos que possuam,e de manter distantes os despossuídos. O liberalismo brasileiro foi umdiversionismo das elites para ocultar as mazelas sociais, a fome, o desamparodo povo. Governos intitulados liberais logo mostram a carantonha fascistaquando os limites onde concebem circunscrever o povo são ultrapassados, e ai recorremao cacete.  Haja vista ao que acontece em São Paulo.
Então,o moralismo surge como máscara. O que querem mesmo essas elitesbrasileiras inconformadas com a ascensão do povo que se fez nos governos deLula e Dilma, é parar esse processo, retirar as massas do cenário e restabelecer apaisagem antiga da democracia para poucos.
Pelacontinuidade da reforma agrária, pela continuidade do salário mínimo  aumentando,pela  continuidade de programas sociais, como o Bolsa Família,  MinhaCasa Minha Vida, Luz Para Todos, Água para Todos; pela continuidade dademocratização da universidade, do ensino técnico; pela continuidade datentativa de adequar o agronegócio aos padrões ecológicos; pela continuidade doprocesso de ampliação da democracia participativa; pela continuidade dofortalecimento da agricultura familiar;  pela continuidade do Brasilatuando com independência no plano internacional;  pelacontinuidade  da política melhor avaliada pela ONU de redução dapobreza; pela continuidade de uma marcha ainda tímida e que precisa serfortalecida, rumo a uma economia livre das interferências desastrosas domercado ou prostíbulo  financeiro global, com o Estado planejando ,sendo indutor da economia e criando um capitalismo socialmente responsável;pela continuidade disso tudo que representa um capítulo importante na luta peladignidade do povo brasileiro, aos 73 anos não farei mais a boca de urnaque  fiz por Juscelino , mas, com a mesma  decisão comovotei em Jackson por confiar no que ele representa  e ter consciênciaplena do que  não representava o outro, vou, domingo próximo, votarem Dilma, pelo que ela representa  e contra a mistificação do outro,mantendo , através do meu já voluntário voto  tudo em que acreditavaquando tinha 14,  quando, com  muita esperança, ansiava porvotar.
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