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“A VALSA DE NELSON RODRIGUES” ESTREIA NESTE SÁBADO, 07.

“A VALSA DE NELSON RODRIGUES” ESTREIA NESTE SÁBADO, 07.

04/03/2015 16h32 Atualizada há 11 anos atrás
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“Esse é meu terceiroencontro com a Valsa nº 6, monólogo escrito por Nelson Rodrigues em 1951. Eisuma das vantagens do teatro: a possibilidade de recriar uma obra, sob novasperspectivas. Nos dois primeiros encontros estive imerso em processospedagógicos, o primeiro foi no Núcleo de Teatro do SESC Petrolina/PE em 2008,onde trouxemos o texto e a cena compartilhada por 12 alunas/atrizes, em umdelirante caos, somente possível em uma única apresentação. Apresentada apenasuma vez talvez por ter contrariado a vontade do autor:
‘Achei, sempre, que um dos problemas práticos do teatro é o do excessode personagens. Entendo, no caso, por excesso, mais de uma. Pensei, por isso,há muito tempo, na possibilidade de tal simplificação e despojamento, que umespetáculo se concentrasse num único intérprete. Um intérprete múltiplo,síntese não só da parte humana como do próprio décor e dos outros valores daencenação. Uma pessoa individuada – substancialmente ela própria – e ao mesmotempo uma cidade inteira, nos seus ambientes, sua feição psicológica e humana.’ (NELSON RODRIGUES,escritor da peça)
O segundo encontro foi nocurso de direção teatral da Escola de Teatro da UFBA, ainda em 2008, durante adisciplina de montagem, que foi ministrada pelo Profº Paulo Cunha que já haviaencenado o texto em (1988) Salvador/BA. Quem encarnou Sônia foi minha irmã,Naiara Maria, numa grande coincidência com o fato de que a peça foi escritapara a irmã de Nelson e estreada por ela, Dulce Rodrigues.
Nas duas experiênciastive a certeza da impossibilidade de passar por Nelson incólume, talvez pelaexigência de um mergulho no desagradável da vida para revelar o mais genuínoimpulso humano – o amor.
Essa mística sobre o universo ‘rodrigu0065ano’ me leva a acreditar numa atraçãoque seus textos e suas 17 peças exalam no público e nos artistas. Umapersistência ao desejo da investigação de suas palavras. Segundo o crítico deteatro Sábato Magaldi,
‘O primeiro mérito de Valsa n° 6 vem de Nelson ter criado um monólogoabsolutamente teatral. Aboliram-se os métodos prosaicos e habituais da forma. Oautor não se serviu de espetaculosidade ou complicações aleatórias para atingiro objetivo. Não importam a luz, o cenário, o tempo e o espaço. A peça repousasobre a palavra, trabalhada dramaticamente. Resultou um poema dramático, em quea conclusão do monólogo é poesia. Superou-se o lado discursivo, racional elógico, para se viajar no território da criação livre, do imponderável e dapureza.’ (SÁBATO MAGALDI, crítico de teatro)
Estamos agora, eu eRaphaela de Paula – uma das 12 alunas/atrizes do meu primeiro encontro –,debruçados sobre Sônia, sonhando com ela, com seus assombros e ecos quereverberam nos nossos dias. Qual o sentido dos ritos de passagem da menina àmulher em nossa sociedade pós-tudo?
‘A juventude, sobretudo nafronteira entre meninice e a adolescência, é de integral tragicidade. Nunca umacriatura é tão trágica como nessa fase de transição.’ (NELSON RODRIGUES,escritor da peça)
Raphaela, por sua vez,teve outros encontros com a obra ‘rodrigueana’: participou junto a outrasalunas/atrizes de uma pesquisa no Programa de Iniciação Científica (PIBIC) namesma Escola de Teatro da UFBA, sob a orientação da Profª Dr. Hebe Alves, queno ano 2001 também dirigiu uma montagem da Valsa n° 6, que ganhou aacunha de ‘Insônia’.
‘Comgrande frescor e doce ingenuidade, Sônia escorre ora para menina, ora para amoça. Surge o pavor da loucura, típica entre os sintomas da transição. Arevolta contra a operação das amígdalas, símbolo de um complexo de castração eterror da experiência sexual.’ (SÁBATO MAGALDI, crítico de teatro)
Logo depois, Raphaelaencontrou outra menina de Nelson, a personagem Cecília da peça ‘Bonitinha MasOrdinária’, na formatura do seu curso de interpretação teatral com direçãode Luiz Marfuz.
Assim-assim, nós, da TrupErrante, fomos aos poucos sendo embebidos pela mística do universo ‘rodrigueano’.Em 2012, numa leitura dramatizada no Ciclo de Leituras de Mesa no SESCPetrolina, descobrimos o sabor e a comicidade do texto ‘Os Sete Gatinhos’.A ‘Valsa Nº6’ traz à tona questões delicadas, como atransição entre a infância e a fase adulta, onde uma menina reconstrói o seupróprio assassinato, questões essas que surpreenderam a crítica teatral, DinahSilveira de Queiroz, que achou inacreditável que essa peça ‘não tivesse sidoescrita por uma mulher’. Esse mergulho, no feminino e nas memórias, são temasrecorrentes nas montagens da Trup Errante e, agora, em comemoração aos nossosnove anos de existência, marca um novo encontro com Nelson em ‘A Valsa deNelson Rodrigues.’”

SERVIÇO
O que é? A Valsa deNelson Rodrigues (TEATRO)
Onde acontece? Teatro DonaAmélia
Quando? Dias 07, 08,14 e 15 de março (sábados e domingos), às 20 horas.
Quanto custa? Ingressoslimitados, ao preço de R$20 inteira e R$10 meia entrada.
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