Nossa apreensão fundamenta-se na dificuldade de compreender como as conquistas alcançadas na sociedade brasileira nos últimos anos não são consideradas ou até menosprezadas no momento atual. Entre as conquistas podem-se destacar: o avanço do processo democrático, a diminuição do índice de pobreza, o crescimento econômico no grupo de países emergentes, os avanços nas questões de gênero, na educação, na moradia, entre outras.
As manifestações de ódio, violência e intolerância que setores da sociedade brasileira e a maioria dos meios de comunicação tem insuflado na população, não podem ser aceitas, sob o risco de prejudicar as conquistas e provocar a desestabilização do país.
Esse quadro justifica nossas preocupações . Não se pode aceitar a “partidarização da justiça”, a “judicialização da política” e “a espetacularização das ações judiciais”.
Combater a corrupção é um imperativo ético. A corrupção destrói a vida das nações e de qualquer agrupamento humano. Mas não é isso o que ocorre no país neste momento. O que temos visto é o combate de forma seletiva, destacando apenas a corrupção de um determinado grupo. Nós queremos que o combate seja equânime, que alcance a corrupção em todos os níveis e de todos os grupos.
Ninguém está por cima da Constituição, se ela for desrespeitada corremos o risco de voltar aos tempos totalitários da ditadura. Nenhum dos poderes pode desrespeitá-la . Se o Judiciário, o Executivo ou o Legislativo o fizerem é o fim do Estado de Direito.
Apesar dessa preocupante situação, com esperança queremos seguir acreditando e apoiando as conquistas democráticas feitas, e as que deverão ser realizadas nas áreas: agrária, tributária, política e sanitária.
Iluminados pela fé e pela esperança ativa e solidária pensamos que é preciso seguir sendo sementeira de um “mundo onde caibam todos” e um “mundo de muitos mundos, onde justiça e paz se abraçarão.
Ao Deus da Vida de todos e de tudo, que toma partido a favor dos mais vulneráveis e perseguidos, pertence a vitória Pascal. Seja Ele nosso guia.
????Belo Horizonte 10 de abril de 2016