Sua entrevista é de uma clareza cristalina sobre o que o“menino” pretende fazer como ministro de um dos ministérios mais estratégicospara o país. Obviamente como resposta a primeira pergunta “de quais asprincipais iniciativas que vai adotar?”, tratou logo de asseverar sua totalignorância para o posto que foi guindado. Confessou que seu ministério foimontado com uma equipe de pessoas ligadas ao mercado, as empresas privadas; como intuito de gerar um ambiente favorável para o mercado. Ou seja, será somenteum titere nas mãos dos grupos empresariais, das corporações, cujos interessessão somente mercantis.
Com relação a pergunta feita pelo repórter sobre sua posiçãoquanto a energia nuclear tratou logo de desqualificar aqueles que pensam o contrário,que afirmam que o Brasil não precisa de usinas nucleares. Disse que não tempreconceito sobre esta fonte energética.
Sua resposta demonstra sua completa ignorância, à falta deconhecimento, sabedoria e instrução sobre este tema. Sua crença em elementosamplamente divulgados como falsos. E asua ignorância é tanta que nem sequer está em condições de saber aquilo que lhefalta.
O ministro conhece bem é como manipular seu curraleleitoral, afirmando em recente visita ao lado do seu pai, aos correligionáriosdo sertão pernambucano, que a usina nuclear será construida em Itacuruba, etrará “desenvolvimento” , empregos e geração de renda aos moradores dosmunicípios do seu entorno. Isto o ministro e seu pai sabem fazer. Manipular ainformação, iludir as pessoas, vender uma falsa imagem de poderoso, daquele quedecide.
A energia nuclear para fins energéticos é totalmentedesnecessária ao país para sua segurança energética. Esta justificativa de queela é a salvação contra o “apagão” é trazido a tona, de tempos em tempos, poraqueles que defendem esta fonte de energia por interesses outros, muitas vezesnada republicanos.
O custo de uma usina de 1.000 MW está em torno de 15 bilhõesde reais (se não houver atrasos nas obras). Pense numa obra desta magnitude noBrasil que tenha sido entregue em dia, sem novos aditivos? Sem propinas dasempreiteiras. O custo da energia para o consumidor é tão caro que se não fosseos subsídios do governo (de todos nós) seria proibitivo comparado com outrastecnologias de geração de energia elétrica. Os custos são camuflados, não seleva em conta nos custos os danos ambientais do ciclo do combustível, e nem odescomissionamento da usina depois de cumprido sua vida útil.
Caso haja vazamento de material radioativo, ai sim que acoisa complica. Material radioativodisperso na natureza contamina o ar, a água, o solo e subsolo por tempoindeterminado. No desastre de Fukushima fala-se em 40 anos para adescontaminação, e várias dezenas de bilhões de dólares. Nenhuma seguradora domundo aceita assegurar uma usina nuclear. É o próprio Estado que tem queassegurar a usina para caso de acidentes.
Quanto ao material radioativo produzido nas reaçõesnucleares, aqueles de maior radioatividade, ainda não se sabe o que fazer comeles. Como armazená-los definitivamente. O popular “lixo” fica como presentepara as gerações futuras. Belo presente, não senhor ministro.
E assim vai os aspectos negativos de uma usina nuclear, hojerepudiada por vários países do mundo.
Portanto, aqueles que defendem que o país não precisa deenergia nuclear não tem nenhum preconceito. Suas posições são determinadas peloconhecimento dos impactos causados por tal tecnologia. Diferente do senhorministro que nada sabe sobre este assunto, e de outros do ministério que ocupa.Que seja rápido sua passagem para o bem do país.
Para um desenvolvimento sustentável, voltado para o bem detodos, da pessoa humana e da natureza, em um país como o Brasil com tantasopções de produção de energias renováveis, a energia nuclear não passará.
Heitor Scalambrini Costa - Professor aposentado da UniversidadeFederal de Pernambuco.