A burguesia concluiu aprimeira etapa da conspiração, que vem desde outubro de 2014, para empossar, dequalquer maneira, um governo totalmente subserviente e capaz de jogar todo o peso da crise econômica sobre osombros da classe trabalhadora.
Agora, está em curso a etapade acelerar a implementação de medidas neoliberais, que só interessam aocapital financeiro e ao grande capital, aumentando a exploração do trabalho,diminuindo salários, aumentando o desemprego e aplicando um programa deprivatizações e ajustes fiscais que envergonham até o FMI.
Todos os dias são anunciadasmedidas estapafúrdias que rasgam a CLT, a Constituição e os direitos sociaisconquistados a duras penas, por décadas de lutas sociais.
2. Porém, o gostinho davitória parlamentar durou pouco. O golpe não conseguiu legitimar-se, nem naopinião pública, nem para o povo e desmoralizou-se até a nível internacional.
O presidente impostor foihumilhado na reunião do G-20, em que os demais governantes nem sequer ochamaram por presidente. E ele teve que aproveitar a viagem para ir comprarsapatos num Shopping Center qualquer. Tadinho!
Do ponto de vista jurídico,a farsa caiu quando os senadores não tiveram coragem de imputar a perda de direitospara a presidenta Dilma, revelando assim que não houve crime. E pior, três diasdepois, os mesmos senadores aprovaram projeto que legaliza as pedaladasfiscais. Ora, não era crime?
Mas a mais dura respostaveio das ruas. No domingo 4 de setembro, menos de uma semana depois do golpe,mais de cem mil jovens paulistas foram às ruas protestar, levantando asbandeiras de FORA, TEMER, DIRETAS JÁ e NENHUM DIREITO A MENOS. Sem o estímulode nenhuma rádio ou televisão, totalmente servis aos golpistas.
Depois, no dia 7 desetembro, repetiram-se centenas de manifestações em todo o Brasil, com milharesde brasileiros/as, em torno do? Grito dos Excluídos?, com as mesmas bandeiras.
E culminou com a classemédia dando uma sonora vaia de cinco minutos na abertura das Paralimpíadas noMaracanã.
3.O que será desse governo,ninguém sabe. Do lado da burguesia eles também tem dúvidas. O governo golpistanão consegue dar unidade política às forças conservadoras. Seu plano neoliberalnão vai tirar o país da crise econômica e política; ao contrario vai agravá-la,trazendo consequências graves para toda população. Os sinais de corrupção deseus membros contradizem com o discurso e os interesses da chamada? Republicade Curitiba?. Por isso o Advogado Geral da União foi demitido sumariamente.
Até quando a mídia e o poderjudiciário vão esconder as delações dos empresários, das propinas ilegais queenvolvem ilustres ministros e inclusive o presidente impostor?
O governo golpista poderávir a ser um governo em crise permanente, que só vai desgastar os partidos queo sustentam, como foram os últimos anos do caótico governo Sarney (1985-89). Ouentão a burguesia poderá trocá-lo pelavia indireta a partir de janeiro de 2017 e colocar algum impostor de maiorhabilidade e confiança do poder econômico.
De nosso lado, da classetrabalhadora, o tempo de vida útil desse governo deveria ser o mínimo possível.Mas na política, os fatos e a correlação de forças não dependem da vontade edesejos. Depende de força acumulada de cada lado.
E o tempo de sua permanênciavai depender de nossa capacidade de mobilizar a classe trabalhadora paraassumir essas bandeiras. Até agora ela ficou parada, assistindo apenas, como seo jogo político, não fosse com seu time.
4. As próximas semanas? Ogoverno golpista acelerou sua ofensiva contra os direitos da classetrabalhadora. Os anúncios quase diários da perda de direitos, da reforma daprevidência, da política de subordinação ao capital estrangeiro, comprivatizações e venda de terras, da entrega do pré-sal, do gasoduto, da BRdistribuidora, e outras riquezas nacionais, estão despertando uma parcela cadavez maior da população e da classe trabalhadora.
Diante disso, várias categoriasno campo e na cidade aumentaram suas mobilizações e lutas nacionais, como vemacontecendo com os trabalhadores rurais, os camponeses, os bancários, osmetalúrgicos, os professores, os trabalhadores do correio e os servidorespúblicos.
E num processo de maiorarticulação dessas lutas setoriais, as centrais sindicais conclamaram a umaparalisação nacional para o próximo dia 22 de setembro. Haverá um esforço nãosó do movimento sindical, mas de todos os movimentos da FRENTE BRASIL POPULAR EDA FRENTE POVO SEM MEDO, para que essa paralisação seja, de fato, vitoriosa eparalise as atividades da produção, de transporte, do serviço público, docomércio e das escolas.
E como alertam ossindicalistas, isso tudo será um ensaio geral para a deflagração de uma GREVE GERALcontra o governo golpista.
Ao mesmo tempo, em São Paulo, e em um número cada vez maior decidades, se multiplicam as manifestações, em geral aos domingos, às vezes atéauto-convocadas, quase espontâneas, majoritariamente pela juventude e pormovimentos das mulheres, clamando cada vez mais alto a necessidade do FORA,TEMER; de DIRETAS JÁ, como uma proposta generosa de que a ordem democrática somente voltará,se o povo tiver o direito de escolher seus representantes nas urnas; por NENHUM DIREITO A MENOS, ou seja contra as medidas do plano neoliberalem curso.
Como vêem, os tamborinsestão esquentando, e a luta será cada vez mais intensa?
Vamos à luta, companheiros ecompanheiras.
João Pedro Stédile