Repetido como um mantra e de forma sistemática pelos órgãos decomunicação, esse discurso tolo, primário, tem, no entanto, a capacidade depenetrar na alma e na consciência de indivíduos sensíveis, sobretudo dascamadas médias da população brasileira. Crédula e crente, por absolutanecessidade ( – eles pensam por nós…). Assim, com sua ótica simplista,simplória, passa a ver o mundo – cada vez mais complexo, belo e cheio dedesafios – como algo a ser enquadrado nos rígidos moldes da ideologianeoliberal. Ultrapassada, estúpida e sem nenhum futuro. E repetem, sem sequerruborizar, os mais tolos chavões criados pelos “jornalistas”, (a voz do dono),sempre obedientes ao comando dos seus patrões.
Criando uma cidadania de tolos obedientes, induzidos a assumiratitudes e crenças neofascistas, convenientemente esquecidos do estrago que osregimes totalitários fizeram nos países que acreditaram em suas “verdades”.Tornou-se, então, permitido e de bom tom repetir estultices nas marchas dedomingo, coloridas de amarelo: “escola sem partido/basta de Paulo Freire/vãopara Cuba” e outras sandices criadas nos laboratórios midiáticos. Preparando,para um futuro bem próximo, uma nação de bobinhos, facilmente manipuláveis.
Mas há um detalhe sórdido nessa campanha: o seu direcionamentoprioritário para o campo progressista, buscando criminalizar, seletivamente,seus integrantes. Com isso, pretendem “neutralizar” sua militância, afastando-ade qualquer veleidade de Poder, garantindo o espaço para o exercício incontesteda Elite, num jogo que, como se sabe, não foi feito para amadores.
Dessa forma sorrateira, conseguiram “cassar” o voto de mais de50 milhões de brasileiros, ao afastar do alto comando do país, de formailegítima, fraudulenta a presidente reeleita, em 2014, por decisão soberana damaioria inconteste dos eleitores, para mais um mandato.
Isso foi feito de tal forma que gerou um estado de permanenteperplexidade no campo democrático. Por longas semanas incapaz de organizarreações consistentes ao esbulho político eleitoral da Elite. As portas doCongresso Nacional e do Poder Executivo se fecharam, tornando-os insensíveis aqualquer tipo de negociação política. Estava, assim, instalado um novo períodoautoritário no Brasil. A ditadura dos medíocres. Da antipolítica. Uma ditaduraenvergonhada. Apoiada em maiorias obtidas de forma discutível no CongressoNacional. Porém autoritária, como todos os regimes de exceção. E pior, dispostaa entregar sem nenhum pudor as riquezas e a soberania do país aos seus patrõesalienígenas.
“Eis senão quando” um inesperado grupo de atores políticosassume a vanguarda, ainda que transitória, da luta pelo retorno à Democracia eà legítima participação do Povo nas decisões que afetam os seus verdadeirosinteresses.
• UMA GERAÇÃO ESPONTÂNEA
( – Nossa ocupação não é apenas pela reforma do ensino. Queremosmudar, sim, esse governo usurpador e fraudulento!)
Os estudantes (sempre eles! em atitude de repúdio às decisões dogoverno espúrio que tomou de assalto o poder), para demonstrar seuinconformismo e sua revolta, assumindo todos os riscos, decidiram, iniciar nummovimento de legítima rebeldia, ocupar suas escolas. Entendendo que são espaçospúblicos destinados à formação de cidadãos livres e conscientes. Não apenas derobôs obedientes aos ditames da Elite e da ideologia neoliberal.
Num movimento pacífico de ocupação, estão a mostrar aos adultos,ainda atônitos e perplexos, uma forma alternativa de fazer política e dessaforma, colocando o governo Temer contra a parede. Ampliando seu legítimo espaçode atuação consciente e cidadania, a juventude estudantil decidiu contestar umgoverno que reconhece como frágil e ilegítimo. Obrigando-o a travar onecessário diálogo político. Ensinando aos novos donos do poder que não se fazreformas de tal profundidade, tão somente com a suspeitíssima votação em blocodo Congresso Nacional. É fundamental o debate que envolva a maioria, senão atotalidade da população, em plebiscitos e referendos.
Incapaz de estabelecer um diálogo franco e honesto com os jovensestudantes, como seria natural, até mesmo essencial nas circunstâncias, ogoverno Temer apela para algo que a cartilha neofascista recomenda fazer emmomentos de confronto político: criminalizar o movimento estudantil; atribuirintenções ilegítimas e criminosas; ameaçar com processos judiciais os pais e/ouresponsáveis pelos alunos. Enfim, pronto a usar as velhas técnicas totalitáriasde intimidação dos jovens. Absolutamente incapaz de reconhecer a coerência e alegitimidade das ações de uma juventude, que se sentindo ameaçada em seupresente e em seu futuro pelas estranhas decisões de um governo sem voto e semapoio popular, demonstra claramente o seu inconformismo com tais decisões,ilegítimas e espúrias em sua origem e em suas intenções.
Talvez seja difícil aos integrantes do atual governo, neófitosna implantação de regimes ditatoriais, agora esquecidos da prática política,perceber a real natureza do movimento de rebeldia estudantil. Vale, entãoadiantar alguns esclarecimentos, para reflexão:
a) O que o Movimento não é:
– coisa de estudantesbaderneiros e desocupados;
– caso de polícia;
– algo a ser reprimidopela força, pela coação e pelo amedrontamento;
– protesto orientado porpartidos políticos;
– uma nova forma deintroduzir o tempo integral nas escolas.
b) O que é e o quepretende o Movimento:
– é uma ação tática, denatureza política, legítima e justa;
– objetivo: mostrar a discordância dos estudantes com o atual governo;
– alertar a população sobre a atual situação das escolas públicas;
– trazer ao livre debate a urgente necessidade de repensar/reinventar aEducação;
– exercer a Cidadania, um direito inerente à juventude;
– praticar a desobediência civil (“que sera tamem”).
Por Geniberto Paiva Campos.