“Recebi ameaças de morte na época em que fui relator da CPIdas Milícias, mas depois de um tempo elas pararam de ser feitas. No entanto,mais recentemente, voltamos a receber esses recados, durante o período dojulgamento de comandantes de milícias da chacina ocorrida no Guamá (em novembrode 2014)e que foram apontados no relatório da CPI das Milícias. Recentemente,uma pessoa foi até o meu gabinete, dizendo que teve acesso a informações dereuniões desses grupos em Belém, que decretaram a minha morte, e que se não mematarem, vão matar filhos, namorada e quem estiver ao meu redor”, denunciou odeputado Carlos Bordalo, na tribuna do plenário Newton Miranda.
O parlamentar acredita que o Governo do Estado do Pará devetomar providências para conter a crescente violência no Estado. “As denúnciassão reveladoras do estado de descontrole que chegamos na segurança pública, dopoder desses grupos de extermínio e de milícias no Pará. Grupos que perderamcompletamente o respeito pela autoridade, porque quando lançam uma ameaçadestas a um parlamentar, no exercício do mandato, presidente da Comissão deDireitos Humanos do Poder Legislativo, é um recado claro de que não respeitammais ninguém: nem polícia, nem Justiça. O Estado precisa tomar uma providênciaimediata, não só para proteger a vida do deputado, mas é preciso um esforçopara proteger a vida da sociedade”, avaliou o parlamentar.
O cabo Antônio Figueiredo tinha 43 anos quando foi morto nobairro do Guamá, em Belém, no dia 4 de novembro de 2014. Na época do crime, eleestava afastado da corporação. Em decorrência da morte do policial, outras dezpessoas foram assassinadas em cinco bairros de Belém, durante a noite e amadrugada do dia 5. A décima vítima foi Allesson Carvalho, de 37 anos. Apolícia prendeu sete pessoas, quatro acusadas de participar da chacina e asdemais teriam envolvimento na morte do cabo da Polícia Militar. A Promotoria deJustiça Militar indiciou 14 PMs por participação na chacina. A corporação abriuinvestigação contra nove policiais. Os processos não foram concluídos.
O caso resultou na instalação da Comissão Parlamentar deInquérito (CPI) das Milícias, em 2014, a partir de requerimento do entãodeputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), atualmente deputado federal, naqual o deputado Carlos Bordalo (PT) foi o relator. No dia 21 de março desteano, o Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal de Belém sentenciou o ex-policialmilitar Otacílio José Queiroz Gonçalves a 29 anos de reclusão por milíciaprivada e pelo assassinato o adolescente Eduardo Galúcio Chaves, de 16 anos,uma das vítimas da série de assassinatos ocorrida em vários bairros da capital,em novembro de 2014, após a morte do cabo Antônio Figueiredo. José Augusto daSilva Costa, o Zé da Moto, foi condenado a 15 anos de reclusão por homicídioqualificado e pelo assassinato de Nadson Roberto da Costa Araújo.