A greve geral é o resultado deum processo de construção e acumulação de forças iniciado pela CUT em 2016, emmeio ao acirramento da luta de classes no país, e que contou com uma intensajornada de lutas e mobilizações, assembleias, debates, atos, ocupações,paralisações e greves, que trouxeram a classe trabalhadora para as ruas àmedida que os ataques aos direitos se intensificaram.
A pressão das bases sindicaissobre direção pelegas e golpistas fez com que se construísse unidade dasCentrais na convocação da greve geral. Eis porque não é força de retórica dizerque nunca antes na história deste país a classe trabalhadora sofreu ataques tãoexplícitos e avassaladores para destruir direitos conquistados ao longo de umséculo de lutas.
A deposição da presidentalegitimamente eleita, através de um golpe midiático, jurídico e parlamentarabriu as comportas para a avalanche de ataques aos direitos dos trabalhadores edas trabalhadoras.
Um conluio entre o Executivo,o Legislativo, o Judiciário e a mídia chutaram as regras e procedimentosdemocráticos e legais básicos para consolidar rapidamente o
golpe. Isto só foi possível emtempo recorde, porque as prerrogativas democráticas
da Constituição aprovada em1988 com o fim da ditadura militar se desmancham cotidianamente no ar.
A criminalização dosmovimentos populares e sindical, a intensificação da violência das políciasmilitares nas periferias e contra manifestantes, as acusações sem provas dasdelações premiadas, os vazamentos seletivos da Lava Jato, são provas de que vemse instalando um estado de exceção no Brasil.
Para completar o roteirogolpista tentam desmoralizar, criminalizar e inviabilizar a candidatura deLula, que dispara nas pesquisas.
Desde agosto de 2016, ogoverno usurpador de Temer está pagando rigorosamente
a sua conta com osfinanciadores do golpe. Primeiro, aos interesses do imperialismo, entregando emoutubro do ano passado, o Pré-Sal à exploração das transnacionais do petróleo.
Em dezembro congelou por 20anos os gastos com educação, saúde, políticas sociais, salários de servidores einvestimentos em infraestrutura, porém preservando o pagamento da discutíveldívida pública a juros escorchantes.
Em março, aprovou aterceirização irrestrita, sem nenhuma garantia de direitos aos trabalhadores,numa manobra espúria que desengavetou projeto de lei de FHC, arquivado pelopresidente Lula.
Em abril, passando por cima doregimento interno da Câmara, a canalha parlamentar aprovou regime de urgênciapara a Reforma Trabalhista, o que se for levado a cabo na prática acaba com aCLT e com a possibilidade do trabalhador recorrer à Justiça do Trabalho.
A Terceirização e ReformaTrabalhista são a fatura de Temer para com o patronato empresarial golpista.
A cereja do bolo ficou para ocapital financeiro, para os banqueiros que a partir da destruição daprevidência pública abrirão um mercado milionário para os bancos explorarem elucrarem ainda mais à custa da penúria da classe trabalhadora. Mas foijustamente a partir do caráter explicitamente destruidor e escravista daReforma da Previdência – trabalhar até morrer -- que a luta ganhou intensidadee surgiu a possibilidade real de derrotar as nefastas reformas e o golpe nasruas.
A greve geral de 28 de abrildeve abrir uma etapa mais intensa e radicalizada da luta política e social nopaís, reivindicando Nenhum direito a Menos e também a redemocratização do país,pois nem o Temer, nem o Congresso, nem o Judiciário tem legitimidade paracontinuar governando o Brasil.
Derrotar as Reformas dosgolpistas, Fora Temer, Eleições Gerais em 2017, seguidas de Assembleia NacionalConstituinte, são os caminhos para a classe trabalhadora derrotar as ReformasTrabalhista e da Previdência e anular a Terceirização, a entrega do Pré-Sal, ocorte nos investimentos públicos e retomar o caminho da ampliação de direitos.
28 de abril é o ponto devirada!
A luta seguirá cada vez mais forte.
Por Jandyra Uehara Alves - SecretáriaNacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT