As pessoas não partem da mesma linha na corrida da vida. Todos nós somosorientados pelo nosso futuro de acordo com a nossa classe social, no contextosocioeconômico e sociocultural. Sei que você vai dizer que conhece um caso emque o lixeiro passou em um concurso público ou que uma empregada doméstica hojeé dona de uma empresa. Lamento informar, mas você está pegando uma exceção paraexemplificar algo que não é a regra.
Os dados históricos nos dão conta de que se não houver intervenção doEstado para promover equidade social por meio de políticas públicas,dificilmente a pessoa sairá de sua condição social e muito provavelmente suageração futura permanecerá na mesma condição social.
Joseph Stiglitz, nobel de economia, fala sobre o tema em seu livro"O preço da desigualdade". Nele é constatado que 90% das crianças quenascem em lugares pobres, morrem pobres. Por mais capacidade que tenham. Já 90%que nascem em lugares ricos, morrem ricos, por mais ignorantes que sejam!Portanto mérito não é um valor!
A retórica da meritocracia teria toda validade se todos nós fossemossocialmente e economicamente iguais. Mas não somos. O Brasil lidera adesigualdade de renda e concentração econômica no mundo. 1% da populaçãobrasileira concentra a metade das riquezas produzidas. Por ano R$ 500 bilhõessão sonegados por empresários. Corresponde a cinco orçamentos da saúde noBrasil anual.
Nessas condições, o discurso da meritocracia tem objetivo claro deimpedir a ascensão social dos mais pobres por meio das políticas públicas epermitir o estímulo da competição entre os empregados, garantindo seu esforçomáximo, com o mínimo de renda e o máximo de lucro para o seu empregador. Façaum favor para você e para o nosso país, nunca acredite em alguém que fale emmeritocracia!
Por Jean Volpato.