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Até Quando???? (Por Pedro Júnior)

Até Quando???? (Por Pedro Júnior)

24/08/2017 08h38 Atualizada há 9 anos atrás
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Hoje (dia 21/08/17) foi um dos dias mais tristes da minhavida! Por volta das 18:45, a caminho da escola pública em que trabalho no turnoda noite, fui parado na avenida independência por uma blitz com agentes detransito de Ananindeua, onde se encontravam também a guarda municipal e a PM,um agente se aproximou e pediu a habilitação e o documento do veículo(entreguei o boleto do licenciamento pago e dentro do prazo legal de 1 mês paraque eu pudesse circular com ele, conforme está escrito no mesmo), que já seencontravam em minhas mãos, assim que entreguei o agente, com o olhar meio estranho, perguntou se o veículo erarealmente meu, ainda com desconfiança me perguntou quando eu havia trocado acor do meu veículo, pois o mesmo nunca tinha visto um New Civic Amarelo, emseguida ele pegou a lanterna que usava e foi conferir a placa na frente docarro, logo depois começou a verificar os quatro pneus indo para a parte detraz do meu veículo, foi quando eu escutei um barulho, olhei ainda dentro docarro pelo retrovisor e percebi que o agente de transito estava levantando ocorpo, ele retornou para próximo de mim e pediu que eu descesse do carro eabrisse o porta mala, olhou  dentro e viuas provas dos meus alunos e livros, foi quando ele me informou que o lacre daminha placa estava rompido, e que provavelmente isso tinha ocorrido porque apintura do carro era recente e que eu não deveria ter passado pela vistoria noDetran, dessa forma o veículo seria removido. Imediatamente falei que o lacrenão estava rompido e que havia mudado a pintura há 3 anos, e que tinhadocumento para provar. Mesmo assim ele continuou a insistir, e pediu para queeu esperasse enquanto ele iria conversar com o motorista do guincho. Logo emseguida o motorista do guincho se aproximou e sem nenhuma cerimônia me informouque se eu pagasse R$400 o veículo seria liberado. Nesse momento pensei na lamaque esse país está mergulhado, na minha família, no meu pai que sempre meensinou a trabalhar e estudar para conseguir as coisas com honestidade, etambém nos meus alunos... Como eu iria encara-los de cabeça erguida, pagandopropina mediante uma tentativa de extorsão. Imediatamente informei ao motoristado guincho que não pagaria, foi quando ele pegou o guincho e aproximou do meucarro para leva-lo, me dirigir ao agente e tentei argumentar novamente em vão.Pedi então que pelo menos ele me emprestasse o celular para que pudesse ligarpra irem me buscar, pois estava sem telefone, apenas com o meu cartão de debitono meio da Av. Independência atrás da Granja do Governador. Nesse momentoconseguir falar com minha esposa rapidamente para que fossem me buscar, poisiria retirar os meus pertences de dentro do carro, além dos trabalhos e provasdas minhas 19 turmas que tenho na escola pública.  Comecei a tirar os meus documentos, ospinceis, algumas provas e trabalhos, o meu jaleco do qual sinto tanto orgulho,a caixa de som que uso vez ou outra em minhas aulas, o meu notebook, os objetosda minha filha, e colocando no chão. Enquanto retirava as coisas ouvia porparte dos de todos que estavam ali (agentes e guarda municipal): “ Esse Negãota demorando muito, deve ta escondendo algum bagulho dentro desse carro, sópode”. “Tá demorando porquê? Tu chamou alguém pra te ajudar é?” “De carro sótem o teu, estamos com pressa... Vamos pra outro lugar”.   Já o motoristas do guincho que estavacercado de guarda municipal e PM falava: “ Eu não tenho a noite toda pra teesperar, tira logo rápido,  senão eu voupuxar o teu carro aberto mesmo e com tudo dentro, tu duvidas?? Demora mais umpouco pra tiver”, “tu pensas que eu tenho só o teu carro pra puxar?”. “ Eu nãotenho que esperar tirar as tuas coisas”. Perguntei pra ele se faria o “checkin” do veículo, e ele afirmou, em tom de deboche, que o veículo chegaria nopátio de retenção do jeito que ele quisesse que chegasse. Que não era eu quetinha que falar o que ele deveria fazer. Nesse momento me dirigir ao chefe daoperação para que ele ligasse para o 190 e solicitasse uma viatura, pois ablitz seria desmontada e eu ficaria sozinho em um lugar escuro e perigosopodendo ser assaltado e correndo risco de morte, já que ninguém da minhafamília havia chegado. Quando virei para traz o motorista do guincho estavadentro do meu veículo revirando tudo pra pegar a chave e desengatar o carro,enquanto o outro começava a puxar o carro com os vidros abertos e sem que euterminasse de tirar o restante das coisas, tudo isso sobre os olhos da guardamunicipal e dos agentes da Semutran. No desespero não sabia se corria para oveículo ou pegava as provas dos meus alunos que começaram voar na calçada e na rua,resolvi pedir emprestado o celular de um moto táxi que estava no local prafilma e bater foto da situação. Ao desligar o aparelho comecei a ser ameaçado ecoagido pelo motorista do guincho, na frente dos agentes, guarda municipal ePM, que nada fizeram. Graças a Deus a minha esposa e o meu Cunhado chegaram aolocal, e começaram a me ajudar e tirar da rua as minhas coisas e subir encimado guincho para fechar as janelas do carro e apagar a luz interna. Depois dessasituação humilhante e constrangedora, resolvi procurar a delegacia da CidadeNova para registrar  ocorrência, e praminha surpresa eles se recusaram a registrar o fato, alegaram que eu não podiafazer um boletim de ocorrência contra o a gente que rompeu o lacre, o motoristado guincho que tentou me extorqui e ainda me ameaçou, além do assédio moral quesofri. Ao sair da delegacia liguei no 190 para tentar ter alguma orientação decomo proceder, eles me informaram que a ocorrência teria que ser feita, e queseu preferisse poderia fazer virtualmente e levar em uma delegacia para odelegado assinar.

Espero que esse meu desabafo sirva para que mais pessoasdenunciem esse tipo de conduta, que no município de Ananindeu, infelizmente, setornou corriqueiro. Todos que moram no município ou trafegam por ele sabem quemuitos agentes nunca estão lá para orientar ou educar, apenas multar e cometeresses tipos de abuso.

Durante o tempo que estive na blitz percebi que o único veículoque eles analisaram minuciosamente foi o meu, inclusive me fazendo abrir amala. Com certeza ficaram frustrados, porque quando viram um Negro, à noite, emum CIVIC, não imaginavam que poderia se tratar de um professor com doisdiplomas a caminho do seu local de trabalho e a mala cheia de provas, trabalhose livros (infelizmente a minha constituição, o código de transito e o estatutoda igualdade racial não estavam na mala do meu carro, tirei nas férias quandofui viajar).

Espero que os meus amigos, alunos, ex-alunos que hoje setornaram policiais, advogados entre outros, possam me ajudar de alguma forma,para que esse não seja apenas mais um caso, pois confesso a vocês que ao chegarem casa não pude conter as lagrimas de tristeza. Mas um dia isso muda...


Por Pedro Júnior - Professor.
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