Democracia e monopólio ideológico são termos que não seconciliam, como igualmente incompatíveis são democracia e ditadura dopensamento único, que se expressa, entre nós, por intermédio do monopólioideológico dos meios de comunicação de massa.
Um monopólio a serviço do atraso, do conservadorismo, doantinacional e do anti popular. A chamada mídia, que começa a controlar,inclusive, as redes sociais, é, no Brasil, o grande partido da direita e dogolpismo, papel, aliás, que sempre exerceu em momentos de crise.
O outro lado, é o massacre imposto à imprensa popular, oumeramente não alinhada ao projeto de desconstrução nacional, cujos veículos sãolevados à inviabilidade financeira. O governo ilegítimo que se instalou com ogolpe de 2016 empreende, com a inefável ajuda de setores majoritários doempresariado, uma política de cerco e aniquilamento cujo objetivo é destruir aimprensa progressista.
A revista Carta Capital é vítima dessa urdidura e suasobrevivência está seriamente ameaçada, com as consequências óbvias para osinteresses de nosso país e de nosso povo.
Precisamos resistir salvando a Carta Capital da debacleameaçadora.
Para discutir as soluções possíveis ao impasse, um grupo deleitores e colaboradores da revista está convocando os que concordam com esteenunciado para uma reunião no próximo dia 16 de outubro, às 18:30hs, no auditório(7º andar) da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, aqui no Rio (Rua AraújoPorto Alegre, 71 – Centro, Metrô Cinelândia). Nesse encontro discutiremos umprograma de trabalho que visa à defesa política e financeira da revista. Entreas ideias em pauta está a fundação de uma ‘Sociedade dos Amigos da revistaCarta Capital’ (cuja proposta de Estatuto segue em anexo), mas, evidentemente,estamos abertos a toda e qualquer colaboração. Não há nada fechado oupré-decidido.
O debate será aberto com uma intervenção do economista,professor e jornalista Luiz Gonzaga Belluzzo.
Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2017
Assinam esta Convocação:
Adilson Araújo, Ana de Holanda, Benedita da Silva, BeteMendes, Carlos Lessa, Celso Amorim, Clóvis do Nascimento Filho, Darc Costa,Francisco Carlos Teixeira, Glauber Braga, Isabel Lustosa, Jandira Fegalli,Jesus Chediak, João Pedro Stédile, Jorge Folena, José Gomes Temporão, LeonardoBoff, Lincoln Penna, Lindeberg Farias, Luís Fernandes, Luís Fernando Taranto,Luiz Antonio Elias, Luiz Carlos Barreto, Marcelo Lavenere, Mário Novello,Nelson Rocha, Olimpio Alves dos Santos, Otávio Velho, Pedro Celestino, RobertoAmaral, Roberto Saturnino Braga, Samuel Pinheiro Guimarães, Sérgio Sérvulo daCunha, Silvio Tendler, Tarso Genro, Theotônio dos Santos, Vivaldo Barbosa.
Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência eTecnologia.