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Correntina Insurgente: uma guerra da água no Brasil.

Correntina Insurgente: uma guerra da água no Brasil.

23/11/2017 07h50 Atualizada há 9 anos atrás
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Correntina Insurgente: uma guerra da água no Brasil.

Insurgência é um filme que proporciona um mergulho de cincominutos na manifestação do dia 11 de novembro de 2017 em Correntina (BA) contraa omissão do poder público diante da exploração de água pelo agronegócio nooeste baiano.

Em meio às palavras de ordem e cartazes em defesa do RioArrojado, do São Francisco e sua bacia e das águas todas, uma grito transborda:“não somos terroristas”. Uma reação à forma como a grande mídia repercutiu oato da semana anterior que destruiu equipamentos de captação de água eirrigação de duas fazendas na região. Para os manifestantes, não há mais tempopara esperar o Estado agir.

Desde a década de 1970 violações e crimes do agronegócio têmsido denunciados. Em 2000, populares desativaram um canal que pretendia desviaras águas do mesmo rio Arrojado. Manifestações religiosas, como o canto fúnebredas Alimentadeiras de Alma, passaram a ser realizadas para denunciar a morte denascentes. E romarias com milhares de pessoas vêm sendo feitas em protestocontra a destruição dos Cerrados. Em 2015, um grande ato com seis mil pessoastentou impedir a outorga de água para as dua fazendas que foram alvo dosprotestos recentes. Mas a população foi totalmente ignorada pelo órgãoambiental da Bahia, que autorizou a exploração de 183 mil metros cúbicos/dia.

Este volume de água retirada equivale a mais de 106 milhõesde litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternasdomésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. Agrava-se a situação ao seconsiderar a crise hídrica do rio São Francisco, quando neste momento abarragem de Sobradinho, considerada o “coração artificial” do Rio, encontra-secom o volume útil de 2,84 %. A água consumida pela população de Correntinaaproximadamente 3 milhões de litros por dia, equivale a apenas 2,8% da vazãoretirada pela referida fazenda do Rio Arrojado.


Não há ciência no mundo que possa estimar um valor monetáriopara o Rio Arrojado, e isso o povo de Correntina parece compreender bem e nãoficará para história como população conformada ou cúmplice de crimes eviolações dessa gravidade.

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