Atualizar nossa agenda de lutas, programa e projetoredefinindo bandeiras, tática e estratégia na disputa de classes e noenfretamento com o setor rentista financeiro, a grande mídia e as alas maisconservadoras do congresso que não hesitam e não hesitarão em produzircondições de ruptura institucional para retomada do controle do Estado e daexploração das riquezas naturais do país a qualquer tempo. É preciso coesão,unidade e relação de confiança entre os dirigentes e militantes dessa esquerda,respeitar a história de luta dos que a constroem desde a luta contra a ditaduramilitar, redemocratização e a juventude desta geração, carregada de novaspercepções e sensibilidade de luta para compreender essa sociedade do séculoXXI, pré e pós Governos Popular e democrático. É indispensável respeitar econhecer a história política do país e da esquerda, para produzirmos umaleitura real de cenário, com resposta e ação eficaz contra o avançoconservador, sectário e radicalizado da direita no país e na sociedade. Em outrosmomentos da história mundial a falta de estratégia e de direção do campo deesquerda, a falta de unidade em um programa que unifique a luta dostrabalhadores “se repetiu como tragédia e como farsa”.
Que fique claro: não é sugerido nenhuma refundação doPartido dos Trabalhadores, sua extinção ou alcova. Que existem novas frentes deluta se formando, organismos sociais e de classes, novos contextos em curso éfato não se pode negá-los, mas, não é possível negar outra realidade, o petismoe o PT são maiores do que sua burocracia interna, CNPJ, seus dirigentes,correntes e suas disputas. A forma como foi organizada sua fundação, é oresultado de anos de luta, todo esse acumulo contra as injustiças sociais epelos direitos da classe trabalhadora e pela liberdade do povo, articuladointrinsicamente com os movimentos sociais, sindicais, organismosinternacionais, agrupamentos clandestinos e de resistência a ditadura emconjunto com parte da intelectualidade, artistas, campesinos e cidadãos dediversas camadas da sociedade e classe social, projetados por todo o territóriobrasileiro, culminou em seu ato de fundação, 10 de fevereiro de 1980, nosimbólico colégio Sion. A vida e o crescimento deste partido irradiou eenraizou uma ideia no consciente coletivo e popular aonde tudo o que évermelho, de esquerda, de rebeldia, de luta, povo ou massa que envolvem estepaís se faz referência ao PT, mesmo sendo outra organização à frente, isso
precisa ser compreendido de forma mais clara, sincera eprofunda. Só existirá outro partido de esquerda com capacidade de luta real, seo PT criar, se o PT quiser ou se o PT efetivamente rachar e não com simplescisões pontuais, por pautas de interesses coletivo ou individual.
O que precisamos perceber de movimento real é o que hoje nãose organiza em nomenclaturas, não se limita a organizações partidárias ouinstituições sociais, existe um movimento social e eleitoral silencioso,descrente da esquerda nacional, que espera um resgate da luta real e querepresente a agenda progressista, nacionalista e desenvolvimentista de um novoBrasil, com atualização das bandeiras de lutas e de um projeto de paísconsistente ou algo novo que se forme a partir de uma hecatombe. Não atoa osvotos brancos, nulos e abstenções são crescentes e de certa forma nos atingem,não eleitoralmente contra a direita durante o sufrágio, mas, durante o decorrerda história, no cotidiano, nas criticas constantes e contundentes. Somosperseguidos pelos nossos acertos, porém, chegamos onde estamos por conta denossos erros, táticos e estratégicos, pela nossa falta de comando, de programae de leitura de país, erros constantes de comunicação e nenhuma inteligênciaorganizacional. Não atualizamos o programa ao povo brasileiro, não atualizamosas bandeiras de “um país para todos” ou produzimos tecnologia social, econômicaque coubesse esta nova sociedade inclusa tecnologicamente, com acesso cada vezmaior as universidades e ao ensino superior, comunicação digital e todos outrosacertos que construímos em anos de gestões petistas.
Por certo, é preciso repactuar a esquerda, construir unidadede programa entre expoentes, partidos e movimentos sociais organizados,redefinir seus campos e uma nova hegemonia política que nos lidere em tempos deguerra, crise e golpe, permitindo avançar na sociedade para além de nós mesmos,sinais de que é possível conquistar novos corações e mentes tem se provado serpossível no decorrer deste período de combate ao golpe e de defesa dademocracia e do Direito de Lula ser Candidato. Com o avanço das reformas e dadestruição de nosso patrimônio nacional será ainda mais real, precisamos estarpreparados para um período longo de lutas e de acumulo de força social.
Por Fernando Neto - Militante do PT e Ex Secretário do GDF.