Se o que generosamente chamamos hoje de “jornalismo”fizesse, de fato, alguma investigação sobre crimes de corrupção, seria maisfácil encontrar nas fundações do prédio da TV Bahia provas mais precisas deilícitos, do que nos ponteiros dos relógios de Wagner, apreendidos em mais umaação espalhafatosa da Polícia Federal.
Não ousaria, em hipótese alguma, duvidar da competência dosmeus colegas trabalhadores da emissora do clã dos Magalhães. Pelo contrário!Lamento hoje, como lamentava quando lá atuei como repórter, a mão pesada dosinteresses políticos da família sobre a pauta do maior conglomerado de mídia daBahia. Mas a ideia do faro apuradíssimo de quem vê uma viatura da PF passarcomo indício de uma grande pauta subestima a inteligência do distinto público.
Seria então uma incrível coincidência, repórteres deafiliadas da Rede Globo em todos os estados onde hoje a Federal já cumpriumandados da Lava jato compartilharem dessa notável e exclusiva acuidadeolfativa? Assim como não se pode duvidar da competência da equipe de jornalismoda Rede Bahia, não parece razoável admitir que colegas de todos os demaisveículos de todas as outras cidades onde há investigados, tenham algum tipo dedéficit no tal faro jornalístico, para explicar a razão de chegarem sempredepois dos globais.
Além disso, é no mínimo chocante ver as convicções dadelegada federal Luciana Matutino sobre as cifras que alardeia com espalhafato,como propina recebida pelo ex-governador. Não batem com os números divulgadospelo impoluto Ministério Público Federal, em junho de2013. No seu site, o MPF jactava-se de ter proporcionadoeconomia de R$ 150 milhões graças a sugestões de procuradores federais eestaduais, acolhidas pelo governo baiano de então, liderado pelo mesmo JaquesWagner.
Da mesma maneira, a afirmação da delegada quanto à supostafalta de fiscalização na obra da Arena Fonte Nova tem um irrefutávelcontraponto nas declarações de Benjamin Zymler, então presidente do TCU. Emvisita ao canteiro de obras, além de elogiar o modelo de PPP do governo baiano,Zymler declarou ao jornal Correio (da mesma Rede Bahia): “esse modelo trazinovações que podem torná-lo permanente”, disse, contestando críticas ao sigilonos orçamentos definido no regime diferenciado decontratações.
Diante disso e de todos os abusos e vazamentos dos últimosanos, é mais do que razoável desconfiar das intenções da vetusta PF. É a mesmainstituição que já caçou e matou comunistas nos tempos em que um jovem JaquesWagner foi obrigado a deixar o curso de Engenharia na PUC/RJ e, clandestino,veio morar no subúrbio de Salvador, onde aprendeu o ofício de soldadorindustrial.
Ao batizar jocosamente mais essa espalhafatosa e midiáticaoperação de “cartão vermelho”, a PF, cada vez mais partidária, quer expulsar docampo eleitoral um político carismático e reconhecidamente habilidoso, comcapacidade para substituir Lula na disputa pela Presidência da República. Issonum ano em que a PF planeja eleger bancada, com agentes e delegados candidatosao Congresso Nacional, surfando na onda da hipocrisia falso-moralista.
Quase sete anos depois de deixar sua assessoria, sinto-menão só à vontade, mas na obrigação de dar o meu testemunho, depois dessa longaquarentena. Assessorei e conheci o governador que forçou a Odebrecht a reduziro contrato de operação do emissário submarino de Salvador em R$ 120 milhões.Testemunhei sua firmeza na renegociação de créditos de ICMS das empresas doPólo de Camaçari, onde ele se constituiu na grande liderança que é. Quitou apendência acumulada em governos anteriores na condição de as indústriasreinvestirem esses créditos nas plantas baianas.
São apenas dois exemplos de pratos fartos que um propineiroaproveitaria para encher malas e caixas com muitos milhões. Nessas e em muitasoutras oportunidades, vi Wagner defender os interesses da Bahia.