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Ciave alerta para falsas notícias divulgadas na internet.

Ciave alerta para falsas notícias divulgadas na internet.

12/03/2018 18h47 Atualizada há 7 anos atrás
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Segundo o farmacêutico e coordenador técnico do Centro deInformações Antiveneno (Ciave), Jucelino Nery, o Centro tem acompanhado estefenômeno e tem procurado esclarecer algumas destas notícias relacionadas à áreada saúde, mais especificamente referentes a envenenamentos. Dentre estasnotícias espalhadas, algumas dessas servem de exemplo:

Risco fatal no uso medicamentos contendo a substânciafenilpropanolamina, que estaria presente em 22 medicamentos e provocandoefeitos adversos fatais em usuários. A verdade é que  a fenilpropanolamina era utilizada em algunsmedicamentos disponíveis no Brasil, mas foi retirado do mercado, há 17 anos,depois que a FoodandDrugAdministration (FDA), agência americana, constatou quea substância provocou hemorragia cerebral fatal em alguns usuários. Apesar denão terem sido registrados casos no Brasil, a Agência Nacional de VigilânciaSanitária (Anvisa) proibiu o seu uso no país, através da Resolução RDC nº96/2000. Em junho de 2017 a Anvisa divulgou nota sobre a questão. Atualmente,nenhum medicamento disponível no mercado brasileiro possui a fenilpropanolamina.

Surgimento de uma nova espécie de cobra muito venenosa naspraias da ilha de Itaparica (BA). Neste caso, além dos fortes indícios de boatopor conta das características da notícia e do vídeo divulgado mostrar umavíbora do Deserto do Saara, inexistente no Brasil, a questão foi verificadajunto aos serviços de vigilância epidemiológica dos municípios de Itaparica eVera Cruz, não tendo sido registrado o suposto aparecimento. Em novembro de2017, o Ciave publicou nota de esclarecimento sobre o assunto, com o intuito deevitar maiores problemas.

Ocorrência de intoxicação provocadas por pirulito comenergético. Esta notícia preocupou pais e mães Brasil afora. Segundo amensagem, o pirulito “Blong  Energy”, damarca Peccin, teria provocado sintomas como falta de ar, vômito, queda depressão, sangramento nasal, tosse e aumento da frequência cardíaca na garotada.Segundo consulta feita pelo Ciave aos profissionais dos diversos centros deinformação e assistência toxicológica do país, nenhum caso do tipo havia sidoregistrado. A fabricante do pirulito divulgou uma nota em seu site e perfil noFacebook informando que o seu produto não possui “nenhum ingredienteenergético, estimulante ou alcoólico” em sua composição. Mais uma vez o Ciavebuscou informar a verdade.

Mais recentemente, circula alerta sobre o contato comlagarta (Lonomia) que pode causar hemorragia e até matar, não havendo sorocontra o veneno. Aqui, algumas informações são verdadeiras (ocorrência duranteo verão em áreas próximas da Mata Atlântica; o risco de morte – apesar de serraro; ficam aglomeradas em árvores). Por outro lado, segundo Jucelino Nery, osoro específico (antilonômico) existe e está disponível no país desde os anos90.  De acordo com o farmacêutico, nãotem sido registrado acidentes por este tipo de animal na Bahia. Ainda assim, oCiave está preparado para a ocorrência. No caso de um possível aparecimento,alerta, deve-se acionar o Centro de Controle de Zoonoses do município pararemoção dos animais e não tocá-los. Havendo acidente, conduzir a vítima o maisrapidamente possível para uma unidade de emergência e contatar o Ciave paraobter orientação específica.

A equipe técnica do Ciave, órgão da Secretaria da Saúde doEstado da Bahia (Sesab), alerta para o cuidado ao repassar informaçõesalarmantes que recomendam o seu compartilhamento, devendo se certificar se nãose trata de notícia falsa, através de sites especializados como o e o E-farsa. A questão preocupa, pois pode haverrepercussões negativas à saúde em virtude da divulgação de informaçõesinverídicas ou incorretas junto à população.

As falsas notícias, em geral, possuem algumas das seguintescaracterísticas: tom alarmista;uso de algumas palavras em letras maiúsculaspara chamar a atenção do leitor; sem data para dar a impressão de que a notíciaé recente;uso de nomes de pessoas que não existem;sem autoria ou fontesconfiáveis; mistura fatos reais com ficção;pede para ser repassada ao maiornumero de pessoas.

Duas universidades federais, da Paraíba e de Minas Gerais,realizaram recentemente estudo sobre o assunto. Outra pesquisa foi publicada narevista Science, no dia 09/03, desenvolvida por cientistas do Instituto deTecnologia de Massachusetts (MIT), e afirma que as notícias falsas se espalham70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. No final dascontas, a grande prejudicada é a população.
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