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Minha visita ao Presidente Lula na cadeia

Minha visita ao Presidente Lula na cadeia

17/03/2019 às 23h36 Atualizada em 01/04/2019 às 07h10
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Minha visita ao Presidente Lula na cadeia


Era uma tarde de quinta-feira,e eu tinha acabado de chegar a Curitiba no Paraná. Saí direto do aeroporto dacidade para a vigília Lula Livre. Eu estava apreensivo com o que iria encontrarpor lá. Tudo o que via daquele local era através da internet. Passamos pelafrente do prédio da policial federal e naquele instante senti uma tristezagrande em meu coração. Vi pela primeira vez o local onde encarceraraminjustamente o maior político mundial na atualidade.

Quando cheguei em uma dasesquinas da rua onde fica aquele prédio imponente, encontrei centenas decompanheiros. Muitos estão lá desde o primeiro dia. É hoje um terreno alugadopara que as pessoas que lá queiram, ir e ficar, possam ter esse direitogarantido. Alguns dizem que só vão sair com Lula Livre. É comum ao ouvirpessoas ver lagrimas escorem em seus rostos. Não é de tristeza, podem acreditar, éde uma certeza na inocência do Presidente e da injustiça que está sendocometida contra ele. Eu também me emocionei várias vezes.

As pessoas que lá estãotranspiram solidariedade, rezam seus credos, acolhem todas as religiões e seamam. A presença delas naquele lugar é uma homenagem a Lula. Todos os dias elasse reúnem para gritar, bom dia, boa tarde e boa noite ao Presidente Lula, queé ouvindo por ele dentro da cela onde está. Ele mesmo me disse que em nenhumdesses dias teria ficado sem ouvir as pessoas. É vital para a sua autoestima.Falou ainda que para ele é o que lhe dá a certeza de que a luta continua. Nãosó pela sua liberdade, mas que, é também, nas ruas que vamos conseguir mudar oque estão fazendo hoje com o Brasil.

Uma coisa que não falta lá na vigíliaé gente para lhe perguntar se já comeu, se quer água. Não há muito no local,mas o pouco que há, é ofertado a todos. Como disse a presidenta do Partido dosTrabalhadores Gleisi Hoffman, “é quase um lugar de romaria”. Para quem quer teruma lembrança da vigília, há camisetas, bonés e broches a venda nas barracas.

A organização no local chegoua um nível, que montaram uma área exclusiva para a imprensa com acesso direto ainternet onde os jornalistas progressistas podem transmitir diariamente asinformações. Para manter a turma mobilizada, há sempre atividades culturaistodos os dias. É a forma encontrada para sustentar a mobilização de todos.

Na hora da visita, ao chegaraquele prédio imponente que se destaca da vizinhança, percebi o contraste que éver o povo lutando por liberdade para Lula e policiais armados já na nossachegada. De um lado a tristeza de uma prisão. Do outro a alegria de um povo quenão perde a esperança e continua na luta, militando e esperando que a justiça,enfim seja feita.

A primeira visão que guardoaté hoje é a da entrada. Ao olhar para o prédio, tive um medo que não seiexplicar. Ele remete a restrição, não da liberdade física, mas também políticae de expressão do Lula. Fiquei sabendo lá que o projeto é o mesmo para todos osestados do Brasil. Por ironia da vida, todos foram construídos durante osgovernos Lula e Dilma. Foi a época em que os presidentes valorizavam ainstituição. Lá tem inclusive uma placa alusiva com o nome das autoridades queexerciam cargos no período. E lá está o nome de Lula inscrito.

Foram os metros mais longos daminha vida, percorridos a pé até chegar ao saguão. É a entrada principal ondefica a recepção e todos têm que passar por lá. Registre-se que os funcionáriosdaquela área foram gentis e alguém me disse que sempre o são. Esperei oelevador. Até o barulho da porta dele abrindo me deixou mais emotivo. Subimos.Porta novamente aberta. Subi dois lances de escadas naquele prédio frio. A arquiteturao deixou ainda mais gélido. Meu coração acelerava a cada passo que eu dava echegava mais perto. Eu sabia que em poucos instantes iria estar com o presopolítico Luís Inácio Lula da Silva e o que eu mais queria era lhe dar um abraçoe o confortar.

A porta se abre e, surpresa,encontro um homem com o sorriso no rosto, os braços abertos e vindo ao meuencontro. Era ele, o homem mais temido pelos poderosos, o homem mais amado pelopovo brasileiro, estava em minha frente e eu paralisado. Recebi um forteabraço, dois tapas nas costas e um, “prazer lhe receber companheiro”.

Vi vários livros em um canto.Outros em uma mesa. Uma cama simples e arrumada. Pensei, como alguém consegueencarcerar a esperança do povo? Durante os minutos que lá fiquei, ouvihistórias, vi sorrisos no rosto de quem achei que encontraria triste e conselhospara que eu nunca desistisse dos meus sonhos. Não encontrei uma pessoaderrotada, encontrei ali, preso injustamente, a esperança de dias melhores parao país. E esperança não se encarcera, sonhos não são presos, ideias nunca serãoaprisionadas.

Os métodos e a formas com quecolocaram Lula naquele ambiente não conseguiram fazer com que boa parte dosagentes deixasse de ter uma simpatia pessoal por Lula. É visível pelo tratamento queeles dispensam ao presidente. Não é só o respeito, é admiração por quem ele é erepresenta para o povo brasileiro.

Ao sair, olhei para trás. Nãovi mais o rosto dele. Mas sai com a certeza de que a luta pela liberdade deLula só vai acabar quando ele estiver novamente entre nós e seus algozes todosna cadeia.

Conversando com a presidentado PT, Gleisi, ela me disse que, “visitar aquele local é sempre um misto detristeza, de raiva muitas das vezes, pelo que está acontecendo, mas de esperançae de alegria de poder ver que, mesmo na adversidade resistimos solidariamentecom muita força”.

PS.: Quando a Presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, me contou sobre uma visita que fez, lagrimas escorreram em meu rosto. É inconcebível o tratamento que o preso politico Luís Inácio Lula da Silva vem recebendo na prisão em Curitiba
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