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O dia em que eu conheci Lula

O dia em que eu conheci Lula

15/04/2019 às 11h44 Atualizada em 15/04/2019 às 11h44
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O dia em que eu conheci Lula


1º de maio de 1981, 08h damanhã e eu já estava no prédio onde fica até hoje a Rádio Cultura de PauloAfonso na Bahia. Naquele dia iria acontecer um ato na avenida Getúlio Vargas eo convidado para falar seria, nada mais, nada menos que Luís Inácio da Silva.Já conhecido com Lula em todo o Brasil.

Ele tinha se transformado nomaior líder sindicato no país após as greves dos sindicatos no ABC Paulista.Lula tinha liderado a maior greve já feita e enfrentado diretamente o poder daépoca, que tinha no presidente João Figueiredo, um general do exército, a jámoribunda, ditadura militar que vinha desde o ano de 1964.

Para nós, pauloafonsinos,seria motivo de satisfação ter naquela data a presença da maior liderançasindical entre nós.

No ano de 1979 aconteceu aprimeira greve dos eletricitários em Paulo Afonso. A segunda veio em 1980 enaquele ano a sede do sindicato foi invadida pela polícia de ACM – AntônioCarlos Magalhães, então governador da Bahia e conhecido por seus métodostruculentos ao longo de sua vida política.

A vinda de Lula, era oencontro daqueles que optaram pela luta e enfrentamento nas ruas contra osistema que oprimia os trabalhadores. Esse movimento que estava por todo opaís, tinha o apoio dos estudantes. E por isto mesmo, eu estava o esperandopara uma entrevista antes do início do ato.

De repente parou na rua, emfrente à rádio um Fiat 147 bege todo empoeirado. Dele desce aquele barbudo quesó víamos através da televisão e vai logo tirando um cigarro do bolso. Ascendee começa a dar suas baforadas. Ao mesmo tempo diz umas palavras sobre adistância que percorreu de São Paulo até lá. Pergunta sobre o número de pessoasno local do evento e diz já está pronto para entrevista. Aperta a minha mão, ade Zé Ivandro, um amigo até hoje e do então presidente do sindicato doseletricitários, Lazaro.

Após as apresentações subimostodos para o estúdio da rádio. Durante a entrevista feita pelo comunicadorDiniz, percebi o quanto aquele homem em nossa frente era especial para a lutados trabalhadores no país. Lula já demonstrava conhecimento de tudo o queacontecia na luta que os trabalhadores estavam envolvidos. De raciocíniorápido, ele deu um show em suas respostas.
E eu, ainda um garoto, via emminha frente alguém que eu já admirava pelos jornais e TVs.

Aquele dia ajudou a forma aminha consciência política. O envolvimento, que já acontecia junto ao movimentoestudantil secundarista, foi reforçado ao perceber que um Nordestino conseguiu“parar o Brasil” unicamente com a força do argumento, ao convencer milhares detrabalhadores a lutar por seus direitos e realizar a greve das greves naqueleperíodo.

Como Lula, algumas pessoasforam importantes na minha tomada de consciência política e que me fez chegaraos dias de hoje sem arredar o pé do lado que acredito, ser o mais justo, aesquerda. São elas, Zé Ivaldo, Emiliano José, além das centenas de companheirose companheiros que conheci ao longo da vida.

Terminada a entrevista, fomosandando a pé até a “Rua da Frente” na Praça do Trabalhador. Hoje eu dou risadasdeste momento porque aquelas poucas pessoas que o acompanhavam estavam de“seguranças” dele. Imaginem você que eu só iria completar 18 anos quatro diasdepois. Mas o privilégio de estar naquele momento, acompanhando aquela pessoanão me mostrava o ridículo de me sentir o responsável por uma vida tãoimportante. Isto só aconteceu muitos anos depois. Mesmo assim, é uma data queas imagens dela teimam em permanecer em mim.

Os anos se passaram, desdeentão a minha vida e da minha família, já constituída, estão ligadas a lutatravada nas ruas, nas escolas, em todos os cantos por Lula e o Partido dosTrabalhadores. Eu já disse antes e volto a repetir, o PT não é só umaagremiação política, é uma religião.

Hoje ver Lula preso políticoem Curitiba causa uma dor imensa. É a dor da impotência diante de tão grandeinjustiça feita contra uma pessoa. Pessoa esta que mudou a imagem do Brasil noexterior, transformando uma “república de bananas” em um país respeitado eadmirado por todos os outros. Que influenciou outros governos a implantaremprogramas sociais desenvolvidos durante os governos petistas. Saber que,sequer, pode falar ao seu povo, e está preso injustamente, causa revoltainterna que só é superada com a certeza de dias melhores virão e que o veremosnovamente livre e eleito presidente novamente. Porque não é por você Lula, épelo povo pobre que novamente está abandonado, sofrendo e sendo humilhado poreste novo governo que se instalou por aqui.

Lula, não abaixe a cabeça,mesmo que a sua dor seja tão grande que o machuque, saiba que aqui fora existemmilhões de pessoas lutando por sua liberdade e que não vão arredar um só minutoda luta por Lula Livre.

Daquele dia em que eu oconheci até hoje, a minha admiração por você Presidente Lula, só aumentou.Confesso que tive medo quando as primeiras acusações surgiram. Naquelesmomentos eu me dizia, sozinho no meu canto, “e agora?”. Mas ao ver quão tãofrágeis elas eram, e ler o que o teu carrasco anotou em tua sentença, tiveorgulho de você Lula. Ninguém pode ser condenado por fato indeterminado.Ninguém! Condenar você por convicção é um escárnio. Essa injustiça perpetradatem que ser revista pela Justiça do Brasil.

Meu querido Presidente LuísInácio Lula da Silva, estamos nas ruas lutando por sua liberdade, e dela nãosairemos até que você esteja novamente entre nós. E, obrigado por ter ido aminha cidade natal naquele primeiro de maio de mil novecentos e oitenta e um.
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