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'Indiana Jones da arte' recupera quadro de Pablo Picasso roubado há 20 anos atrás

'Indiana Jones da arte' recupera quadro de Pablo Picasso roubado há 20 anos atrás

26/03/2019 15h57 Atualizada há 7 anos atrás
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'Indiana Jones da arte' recupera quadro de Pablo Picasso roubado há 20 anos atrás
Um detetive holandês conhecido como "Indiana Jones daarte" voltou a mostrar seu talento ao encontrar um quadro de PabloPicasso, avaliado em 25 milhões de euros (R$ 109 milhões), que foi roubado em1999 do iate de um xeque saudita na Riviera francesa.

Arthur Brand afirmou que no início de março entregou a umaseguradora a obra de 1938 "Portrait de Dora Maar", também conhecidacomo "Buste de Femme (Dora Maar)".

A descoberta do raro retrato de Maar - uma das figurasfemininas mais influentes da obra de Picasso - foi o ponto alto de umainvestigação de quatro anos sobre o roubo no iate Coral Island quando estavaancorado em Antibes.

Duas décadas depois do roubo e sem nenhuma pista, a políciafrancesa parecia resignada e o retrato, que estava na casa de Picasso até suamorte em 1973, parecia perdido para sempre.

Mas depois de seguir durante quatro anos uma pista que olevou ao submundo do crime na Holanda, dois intermediários compareceram aoescritório de Brand há 10 dias com o famoso retrato.

"Eles trouxeram a pintura, que agora está avaliada emquase 25 milhões de euros, embrulhada em um lençol e em um saco de lixopreto", disse Brand à AFP.

A recuperação da obra é uma nova vitória de Brand, que noano passado virou manchete em vários jornais do mundo ao encontrar e devolverao Chipre um mosaico de 1.600 anos de antiguidade.

Em 2015 encontrou os famosos "cavalos de Hitler",duas estátuas de bronze do artista nazista Joseph Thorak.


Drogas e armas


O roubo do quadro de Picasso, na época avaliado em US$ 7milhões (cerca de R$ 26 milhões), pegou de surpresa a polícia francesa, masobrigou os bilionários a intensificar a segurança nos iates.

Em 2015, Brand recebeu informações de que "um Picassoroubado de um iate" estava circulando na Holanda, mas "no momento nãosabia exatamente qual era a obra".

O quadro, na verdade, estava no circuito criminal, ondecirculou durante vários anos como garantia de pagamentos, "aparecia em umnegócio de drogas aqui, anos mais tarde em um negócio de armas", explica.

Desde o roubo, a obra mudou de mãos "uma dezena devezes" e isto provocava temores sobre o estado da pintura.

Foram necessários vários anos e algumas pistas falsas atéele conseguir determinar que era o Picasso roubado do iate do bilionáriosaudita Abdul Mohsen Abdulmalik Al Sheik.

Brand conseguiu divulgar no submundo holandês seu interessena obra "Buste de Femme (Dora Maar)" e no início de março teve êxito.

"Dois representantes de um empresário holandês entraramem contato, dizendo que seu cliente tinha a pintura", conta.

De acordo com suas informações, o empresário "pensouque o Picasso era parte de um negócio legítimo".

"O negócio foi realmente legítimo, mas o método depagamento não foi", explicou Brand.

O detetive alertou imediatamente as polícias da Holanda e daFrança. As autoridades francesas já haviam encerrado o caso e, diante do atualcenário, informaram que não processarão o empresário e atual proprietário daobra.

Brand afirmou que era necessário agir rapidamente paraevitar o novo desaparecimento da obra.

"Eu disse aos intermediários: 'é agora ou nunca, porqueo quadro provavelmente está em mau estado. Temos que agir o mais rápidopossível".

Finalmente, há pouco mais de uma semana, Brand abriu a portade seu modesto apartamento em Amsterdã e ali estavam os dois intermediários coma obra.

"Coloquei o Picasso em minha parede durante uma noite etransformei meu apartamento em um dos mais caros de Amsterdã por um dia",afirmou Brand, sem conter as gargalhadas.

No dia seguinte, um especialista na obra de Picasso dagaleria Pace (Nova York) voou a até Amsterdã para comprovar a autenticidade emum local seguro.

Também estava presente o detetive britânico Dick Ellis,fundador da unidade da Scotland Yard sobre arte e antiguidades, e que viajou emrepresentação a uma seguradora não identificada.

"Não há dúvidas de que é o Picasso roubado", disseEllis à AFP.

Ellis é famoso por ter recuperado várias obras roubadas,inclusive "O Grito", de Edward Munch, que foi levado da GaleriaNacional da Noruega em 1994.

O retrato de Picasso está agora com uma seguradora, que teráque decidir os próximos passos, explicaram Brand e Ellis.
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