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Quero meu São João de volta

Quero meu São João de volta

01/07/2019 10h43 Atualizada há 7 anos atrás
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Quero meu São João de volta


Não é de hoje que asfestividades juninas foram invadidas por ritmos que não o forró autêntico. Enão falo daquele Pé de Serra com um zabumbeiro, um triangueiro e um sanfoneiro,muito bem representado pelo Trio Nordestino e a Fulô de Mandacaru, que já nãotem espaços em muitas cidades nordestinas invadidas por artistas que maisparecem ETs (Extras Terrestre) em um mundo de diversão.

Desde que o pernambucano Jorgede Altinho, nos anos 80, eletrizou o forró acrescendo a Banda, um contrabaixo,uma guitarra e uma bateria, dando ao ritmo uma nova mistura que já se percebia,algo novo estava acontecendo no forró. No primeiro momento aquele novo gingadocom uma batida mais acelerada, contagiou a juventude universitária e encheu salõese praças de eventos.

Naqueles dias, o rei do baião,Luís Gonzaga, já demonstrava não estar gostando dessas mudanças. Com sua experiência,o Velho Lula, antevia essa mistura que hoje está acontecendo.

Na Bahia, o Chiclete com Bananafoi uma das primeiras bandas de Axé a perceber o filão existente e gravar discoscom a temática voltada para as festividades juninas. Foi o momento do forroxécom, “no lume da fogueira, de uma noite de forró, pé e chão, chão e pó, se amamcomo as estrelas, no azul do arrebol paixão, acesa como a luz do sol”. Começaali a ocupação dos espaços das bandas e artistas tradicionais do forró poroutros de maior visibilidade.

Com a entrada em cena do forróeletrizado produzido no Ceará, com bandas como a Mastruz Com Leite e depois emSergipe com Calcinha Preta, estava definitivamente consolidada a mudança dosestilos musicais e a festividade junina no Nordeste do Brasil deixou de ser umatrativo para se tonar mero coadjuvante do espetáculo.

Cidades como Campina Grande naParaíba e Caruaru em Pernambuco deram a sua contribuição para este movimento dofim de um ritmo autêntico e a ocupação do espaço por artistas de outras partesdo país.

Mas a mudança foi mais sentidaapós o surgimento da Banda Brasas do Forró com seu “vaneirão” importado do suldo Brasil. Eles misturaram o forró com o vanerão, música típica do Rio Grandedo Sul, e também muito presente na tradição do Paraná, Santa Catarina, SãoPaulo e Mato Grosso do Sul. Tinham em Toca do Vale, um dos primeiros cantores,o maior representante no Nordeste. De voz e estilo inconfundíveis, caíram nogosto popular e foram copiados por outras bandas e artistas. Aviões do Forró, Caviarcom Rapadura e tantas outras, copiaram a fórmula e se deram bem por um longo período.

Nos dias atuais, Xand Aviões eWesley Safadão são produtos que foram germinados na entressafra entre o vanerãoe a “sofrência” de Marilia Mendonça, as ex-coleguinhas, hoje Simone e Simaria eas gêmeas Maiara e Maraísa.

Para completar a invasão de ritmosdurante as festas juninas, este ano artistas como Gustavo Lima, Jorge e Matheus,DJ Alok, Léo Santana, Amado Batista, Márcia Felipe, Jonas Esticado estiverampresentes e participando dos arraiás das cidades. Teve sofrência, batidão,música eletrônica, Axé, brega e até um pouco de forró. Sobrou animação, faltoutradição.

Alguém avisa aosadministradores municipais que não basta ter praças repletas de gente para verartistas famosos. Nós precisamos inovar, sem acabar com a tradição do ritmo doforró. Há que se ter responsabilidade para não deixarmos para o futuro sons descartáveis.

Não podemos abrir mão de umafogueira acessa na porta de casa, de fogos estourando na porta do vizinho, domilho assado na brasa, da roupa de matuto na noite de São João, da quadrilhatradicional e do quentão, para aqueles que bebem, durante todo o mês de junho.

Foto: Secom/Serrinha-BA.

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