Ele tinha o sabor do arroz comfeijão.
Esta semanaem uma conversa despretensiosa que eu tive com duas pessoas, me trouxe lembranças da minha infância. Do tempo em que eu morava na “outra rua”. Eraassim que eu me referia à região da Praça Libanesa, onde vivi boa parte dosmeus primeiros anos de vida até os sete anos de idade em Paulo Afonso na Bahia.
E é destaépoca que me lembro de “Fedegoso”. Mendigo que perambulava pelas ruas do centrobatendo em uma lata de goiabada, desta que até hoje compramos nossupermercados. E quase que diariamente ele passava por minha casa. Sempre pertoou após a hora do almoço, pedindo comida.
O “prato”era a lata da goiabada. E foi ao vê-la que o meu sonho de criança despertou. Euachava aquela vasilha diferente. E em casa minha mãe não deixava que tivéssemosuma. Todas, após consumirmos o doce, eram jogadas fora. Eu não me conformavacom a atitude da minha mãe. Porque Fedegoso podia ter um prato diferente domeu? Se eu poderia ter um igual ao dele!
E foidurante muito tempo o meu sonho de criança, ter uma vasilha para poder colocarcomida, igual ao daquele mendigo que ainda mora em minhas lembranças.
E quando melembrei dessa história essa semana, pensei em compartilhar com vocês o meusonho de infância. E não é que no sábado ao meio dia, quando eu estava em casa,após chagar da Igreja, recebi um presente. Uma das pessoas que tinha ouvido aconversa entrou em minha casa com uma vasilha de doce de goiaba com arroz,feijão e um pouco de verduras e me entregou o meu almoço. Rimos muito, e estafoi a minha refeição.
Eu sei otempo não volta mais. Mas os nossos sonhos e a nossa felicidade poderiamcontinuar a ser simples assim. Há muito que eu não tinha um dia tão feliz.
* este conto faz parte do Livro: Quando o Amor Incomoda de Dimas Roque.